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Queda no consumo de lácteos antecipa recuo de preços

24/08/2017 10:29:14 - Por: CILeite. Foto: Pixabay

A demanda doméstica segue fraca. O volume de vendas de produtos lácteos recuou cerca de 4,5% no primeiro semestre de 2017.

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O setor lácteo nacional está vivenciando uma mudança de humor. O ambiente de motivação do segundo semestre de 2016 e primeiro semestre de 2017 cedeu lugar a um cenário mais negativo. De fato, a tendência de preços internos é de queda, mas existem fatores positivos que precisam ser valorizados.

No âmbito internacional, a tonelada do leite em pó Integral no Global Dairy Trade passou de US$2.479 em agosto de 2016 para US$3.149 em agosto deste ano, uma alta de 27%. Por outro lado, o preço real pago ao produtor no Brasil é praticamente o mesmo de um ano atrás, ficando mais alinhado a cotação internacional e reduzindo a competitividade das importações. Afinal, para um País que possui a ambição de se tornar um exportador de lácteos, o alinhamento ao mercado mundial é condição básica.

Analisando os dados de importação, percebe-se uma desaceleração do volume comprado. Entre janeiro e julho de 2016 entraram cerca de 1 bilhão de litros de leite via importação, recuando para 864 milhões de litros no mesmo período de 2017, uma queda de 14%. A importação elevada de 2016 foi consequência da falta de leite no mercado brasileiro e elevação dos preços do produto nacional em relação ao importado. O problema então é interno? Em nossa visão sim, conjuntural, e reflete a combinação de três fatores: elevação relativa da oferta interna, queda na demanda e baixa rentabilidade da indústria.

A melhoria dos preços recebidos pelos produtores em relação aos custos de produção estimularam a oferta interna. Este incremento de produção tem sido observado ao longo de 2017, rompendo o ciclo de queda dos últimos dois anos.

Por outro lado, a demanda doméstica segue fraca. O volume de vendas de produtos lácteos recuou cerca de 4,5% no primeiro semestre de 2017 ante o mesmo período de 2016 segundo dados da Nielsen. No caso do UHT, a queda foi de 3,3%, no leite em pó de 4,8%, nos iogurtes de 9,5%. Essa queda de vendas acabou gerando recuo na margem dos laticínios, elevação de estoques nas principais empresas e queda antecipada das cotações ao longo da cadeia produtiva. Já tem leite “Spot” sendo vendido a R$ 1,05 e R$ 1,10 por litro. Portanto, o cenário de preços é mesmo de queda e exige uma gestão de custo refinada. O problema é que em muitas propriedades o custo é, ainda, desconhecido. A atividade deve ser avaliada tanto pelo preço do leite quanto pelo peso dos itens no custo de produção.

Todavia, o segundo semestre se inicia com alguns indicadores positivos. Apesar da economia seguir em crise, a taxa de desemprego registrou ligeira queda em quase todas as regiões do País. Os saques das contas inativas do FGTS injetaram cerca de R$ 40 bilhões na economia. A inflação acumulada em 12 meses até julho ficou em 2,46%, o que é muito positivo para a população de baixa renda. Os consumidores estarão pagando preços menores pelos lácteos neste segundo semestre em relação ao ano passado. Parte da importação do ano passado será substituída por produção interna e, finalmente, milho e soja seguem com preços mais favoráveis aos pecuaristas, o que tem proporcionado uma boa rentabilidade para o produtor de leite (Figura 1). Portanto, são fatores positivos que precisam ser considerados.
Figura 1 – Litros de leite para aquisição de 60 kg de concentrado (70% milho; 30% farelo de soja) Fonte: CEPEA/DERAL-PR/Embrapa Gado de Leite.