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Leite/Cepea: Preço ao produtor é o menor desde 2010

13/03/2017 19:45:00 - Por: Cepea-Esalq/USP

O preço médio líquido de 2015, calculado pelo Cepea em R$ 0,9529, é o menor dos últimos cinco anos.

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Os preços do leite recebido pelos produtores em dezembro confirmaram as expectativas da maioria dos colaboradores do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, e seguiram estáveis, com ligeiro recuo de 0,03% sobre novembro, a R$ 0,9673/litro na “média Brasil” (MG, RS, SP, PR, GO, BA e SC). Com isso, em termos reais (valores deflacionados pelo IPCA de nov/15), o preço médio líquido de 2015, calculado pelo Cepea em R$ 0,9529, é o menor dos últimos cinco anos.

Pesquisadores do Cepea destacam que, diferentemente do milho, da soja, do açúcar, do algodão e do boi gordo, entre outros, que foram favorecidos pela desvalorização do Real frente ao dólar no cenário internacional, a pecuária de leite teve um ano difícil em todos os seus elos. “Dentro da porteira”, produtores enfrentaram aumentos constantes de custos de produção e preços bem abaixo dos anos anteriores. Para as indústrias, o desafio foi fechar as contas num contexto de enfraquecimento da renda nacional e vendas de derivados bem inferiores ao esperado para o ano.

A menor demanda por diversos derivados lácteos, a queda nas margens dos produtores, o excesso de chuvas no Sul do País nos últimos meses, o atraso das chuvas em parte do Sudeste e Centro-Oeste e o aumento da concorrência entre indústrias por produtores em algumas regiões foram algumas ocorrências que dificultaram a obtenção de resultados positivos em 2015.

Em dezembro, o preço médio bruto (inclui frete e impostos) pago ao produtor foi de R$ 1,0534/litro, 2,04% menor, em termos reais, que o de um ano atrás. Com exceção dos estados do Sul, que registraram alta nos preços, todas as outras regiões analisadas tiveram quedas que refletem o período sazonal de safra. A maior alta ocorreu em Santa Catarina, de 1,3%, com o litro na média de R$ 1,028 e a maior queda recaiu sobre produtores da Bahia, de 1,7%, onde a média bruta foi de R$ 1,0143/litro.

Gráfico 1: Série de preços médios pagos ao produtor - deflacionada pelo IPCA


Fonte: Cepea-Esalq/USP

Pesquisadores do Cepea explicam que, enquanto 2014 foi pautado pela “oferta”, que impactou o mercado durante todo o ano passado – a captação de leite em 2014 foi quase 14% maior que em 2013, segundo ICAP-L/Cepea –, em 2015, o fundamento central foi a “demanda”. Devido à crise econômica nacional, o poder de compra do consumidor foi prejudicado e a demanda por derivados lácteos, diretamente afetadas. Com isso, as expectativas de melhora para o setor ficam atreladas à recuperação da economia do País, o que pode não ocorrer no curto prazo.

De outubro para novembro, o Índice de Captação de Leite do Cepea (ICAP-L/Cepea) sinalizou aumento de 0,41%. Mesmo com atraso e com níveis de precipitação ainda abaixo do esperado para o período, as chuvas favoreceram a qualidade das pastagens e, consequentemente, a captação de leite nos estados do Sudeste e parte do Centro-Oeste. Já para a região Sul o excesso de chuvas passou a prejudicar a produção de leite e também a logística de coleta, o que limitou o aumento do ICAP-L comum nesta época do ano. Dos sete estados incluídos no ICAP-L/Cepea, destacaram-se Goiás, com aumento de 4,98% na captação, e Rio Grande do Sul, com queda de 2,43%. No balanço ainda parcial de 2015 (jan-nov), o ICAP-L/Cepea está 9,2% acima do registrado para mesmo período de 2014.

Gráfico 2: ICAP-L/Cepea - Índice de Captação de Leite – Novembro/15


Fonte: Cepea-Esalq/USP

A crise econômica, a instabilidade política, o excesso de chuvas no Sul do País e a promessa de um forte El Niño para os próximos meses têm mexido bastante nas expectativas dos profissionais de laticínios/cooperativas consultados pelo Cepea. Para janeiro/16, a maioria dos entrevistados (62,1%), que representam 67,2% do leite amostrado, já espera estabilidade nos preços. Outros 34,5% dos agentes, que representam 31,9% do volume amostrado de leite, ainda acreditam em queda e apenas 3,4%, que representa 0,9% do volume da amostra, acreditam em alta.

No mercado de derivados, após a alta dos preços do leite UHT e do queijo muçarela em novembro, ambos voltaram a se desvalorizar em dezembro. Os colaboradores que apontavam leve melhora na demanda por esses derivados em novembro, o que justificou a elevação das cotações, neste mês, relataram demanda abaixo da expectativa, insuficiente para sustentar os preços. As médias de dezembro (até dia 23) do leite UHT e do queijo muçarela negociados no atacado do estado de São Paulo são de R$ 2,2227/litro e de R$ 13,56/kg, respectivamente, o que representa ligeiras quedas de 1,73% e de 0,1% sobre os valores de novembro. A pesquisa de derivados do Cepea é realizada diariamente com laticínios e atacadistas do estado de SP e tem o apoio financeiro da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).