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Argentina: SanCor continua sem pagar dívida com produtores de leite

31/08/2017 10:28:48 - Por: www.diariocastellanos.net, traduzidas e resumidas pela Equipe MilkPoint.

A cooperativa de lácteos da Argentina, SanCor, continua sendo notícia já que o déficit econômico/financeiro que a ronda está longe de ser coberto.

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A cooperativa de lácteos da Argentina, SanCor, continua sendo notícia já que o déficit econômico/financeiro que a ronda está longe de ser coberto. Os 250 milhões de pesos (US$ 14,60 milhões) fornecidos para a SanCor pelo governo foram utilizados para as despesas mais urgentes, mas não foram suficientes para que os produtores de leite voltassem a depositar seu leite e sua confiança na cooperativa.

Sobre o relacionamento da SanCor com os produtores, Javier Bolatti, presidente da Sociedade Rural de Sunchales, explicou que a dívida com os produtores não foi regularizada. Os produtores não receberam os pagamentos atrasados. "É impossível imaginar que um produtor possa durar mais de dois meses sem receber pela produção”. 

Que destino os produtores de leite da região estão dando à sua matéria-prima?

"A maioria dos produtores da região não voltou a enviar leite à SanCor. A grande maioria foi captada por uma das empresas mais importantes que tem em Rafaela, de capital estrangeira (Saputo), o resto para algumas pequenas e médias empresas, algumas da empresa de San Justo e outra parte para a planta que está em Lehmann".

Qual é o panorama social da cidade de Sunchales a esta altura dos fatos, pela crise de SanCor?

"Quando o governo efetuou o primeiro desembolso de 250 milhões de pesos (US$ 14,60 milhões) para um fideicomisso, havíamos entendido que a dívida com os produtores seria regularizada. Eles estão pagando - de forma atrasada - mas, não tenho precisão de quanto eles ficaram devendo. Sabemos que o município forneceu um auxílio, até com equipes de psicólogos para as pessoas, mas os produtores não receberam apoio. Não foi dado ao produtor ao menos outra maneira de diminuir a crise. Agora percebemos que há algum movimento já que essa contribuição do governo fez com que o setor de trabalhadores recebesse semanalmente. Mas há uma dívida importante também com outros fornecedores, como fábricas de papelão, plástico, transporte, entre outros". 

O governo teria cortado o "resgate" alegando que a empresa ainda não implementou qualquer política de reestruturação. Pode-se medir isso pelo seu setor?

"Não, eu não poderia dizer. Eu sei que houve muitas retiradas voluntárias, os funcionários que têm 30 anos de serviço, mas que ainda não têm idade suficiente para se aposentar, optaram por esse esquema de aposentadoria voluntária. Eles passaram a receber 80% do salário. Há retiradas voluntárias praticamente toda semana, a equipe está diminuindo. Quanto ao resto, não temos conhecimento. Sabemos que estão ocorrendo negociações com as empresas, ou com uma em particular, que é a cooperativa Fonterra". 

E por que não pagam essa diferença?

"Quando empresas como a SanCor caem, o resto da indústria espera com os braços abertos pelos produtores. Não estamos percebendo o que a indústria poderia realmente pagar. Há muitas que estão armazenando leite em pó de modo que quando houver um preço melhor ou quando eles tiverem melhores condições, venderão o produto. Não sei se esses centavos que hoje não recebemos serão pagos quando venderem esse leite em pó. É a história eterna que acontece na indústria láctea argentina, e é por isso que, durante anos, estamos em um setor lácteo praticamente neutro em termos de crescimento".

Qual é a realidade dos produtos lácteos até o final do ano?

"Estamos vendo o setor lácteo em declínio. Não há preço de referência, nenhum mercado institucionalizado e não há possibilidade de que laboratórios sejam terceirizados para definir a qualidade do leite. Hoje, toda a análise de matéria-prima é feita por fábricas. Mas o produtor continua lutando e continuará sendo um produtor, pois é o que ele sabe fazer".