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Selo pode levar até 2 anos, dizem produtores de alimento artesanal

20/09/2017 09:21:21 - Por: Folha de S. Paulo

A falta desse selo levou a Vigilância Sanitária a impedir a venda de pratos feitos com alimentos artesanais pela chef Roberta Sudbrack durante o festival Rock in Rio.

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Produtores de alimentos artesanais e especialistas afirmam serem necessários até dois anos para se conseguir o SIF (Selo de Inspeção Federal), que permite que empresas vendam produtos de origem animal por todo o Brasil.

A falta desse selo levou a Vigilância Sanitária a impedir a venda de pratos feitos com alimentos artesanais pela chef Roberta Sudbrack durante o festival Rock in Rio.

Aguardando autorização para vender a outros Estados, a Casa da Linguiça, de São José (SC), terceiriza sua produção durante uma semana por mês para outra empresa.

A parceira oferece mão de obra e espaço, e a Casa da Linguiça, as receitas e um supervisor, diz Marcelo Dones, proprietário da empresa.

Ele acredita que receberá o selo neste ano. Com ele, prevê dobrar as vendas e entrar nos mercados de São Paulo e Rio de Janeiro.

O prazo de dois anos esperado por Dones é comum no país, segundo consultores.

O processo envolve envio de plantas da produção, que levam tempo para serem analisadas e muitas vezes voltam com pedidos de alterações, explica Daniel campos, sócio da consultoria Qualisan.

Empresários também se queixam de serem cobrados de modo parecido ao exigido para grandes empresas.

Na serra da Canastra, em Minas Gerais, produtores de queijo ameaçam deixar de vender para outros Estados.

João Carlos Leite, presidente da Aprocan (associação de produtores da Serra da Canastra) e dono da Roça da Cidade, reclama da obrigatoriedade de seus produtos seguirem parâmetros que ele considera inadequados.

Por exemplo: queijos da região feitos com leite cru só podem ser vendidos após período de maturação de 22 dias

Porém o queijo meia-cura, o mais procurado pelos consumidores, é obtido com maturação de até 20 dias, diz.

A autorização para venda de alimentos de origem animal depende da obtenção de selos municipais, estaduais e federal, explica Ricardo Boscaro, analista do Sebrae-MG.

O Ministério da Agricultura busca facilitar a obtenção de licenças com a ampliação de um selo chamado Sisbi, que, a partir da adesão de Estados e municípios, permite que autorizem vendas em todo o país. Estão integrados dez Estados, 16 municípios e 3 consórcios públicos.

A pasta diz não ter número médio de dias necessários para concessão do SIF, pois ele depende de documentação entregue pelo interessado. Também diz que, em 2015, simplificou sua obtenção.

Sobre o queijo da canastra, a pasta afirma que define o prazo mínimo de maturação a partir de parecer da Secretaria de Agricultura de Minas Gerais, visando a garantia da qualidade e a inocuidade dos produtos.