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Sinal positivo nos negócios

02/10/2017 09:40:19 - Por: Diário do Comércio

A operação representa ganhos para a indústria mineira e para a pecuária leiteira que com a leite transformação agrega valor à sua produção.

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No mundo dos negócios, mais uma boa notícia para Minas Gerais com o anúncio de que a Cooperativa Central dos Produtores Rurais (CCPR) decidiu exercer seu direito de preferência e, assim, recomprar 50% das ações da Itambé que pertenciam à Vigor. Esta, por sua vez, era controlada pelo grupo JBS e foi recentemente transferida a investidores mexicanos, na esteira dos problemas enfrentados pelo grupo brasileiro. Perto de completar 70 anos, a Itambé Alimentos transformou no primeiro semestre do ano 2,7 milhões de litros de leite para suprir uma linha que leite chega hoje a 160 produtos diferentes. São cinco unidades industriais, quatro no Estado e uma em Goiás, abastecidas por sete mil fornecedores e operadas por mais de três mil funcionários diretos.

Para o Estado, para os produtores de leite em particular que já sofrem os efeitos dos percalços leite enfrentados pelo grupo JBS, é bastante relevante que a CCPR tenha voltado a deter integralmente o controle da Itambé, hoje um dos maiores laticínios em operação no País, referência pela qualidade de seus produtos. Assim, o que num primeiro momento pareceu representar uma ameaça, acabou se revelando oportunidade, com a Itambé, que chegou a correr o risco de desaparecer para abrir espaços para a marca Vigor, empreendendo uma saudável volta às suas origens, numa transação estimada em pelo menos R$ 5 bilhões.

A operação representa ganhos para a indústria mineira e para a pecuária leiteira que com a leite transformação agrega valor à sua produção. Fortalece também a Cooperativa Central dos Produtores Rurais (CCPR), uma das maiores e mais tradicionais do País, fundada em 1948 e reunindo hoje 33 cooperativas de Minas e Goiás, representando 8,5 mil produtores cooperados, com presença forte no varejo nacional e atividades diretas que já chegam também ao Rio Grande do Sul.

Com seu centro de comando e decisões retornando integralmente a Belo Horizonte, a operação há pouco anunciada certamente contribuirá para fortalecer os negócios do tradicional grupo e sua presença nacional no mercado de laticínios. E claramente beneficia na mesma proporção a economia regional, num movimento de alento inverso ao processo de virtual esvaziamento que levou o Estado a perder nos últimos anos algumas de suas tradicionais empresas, dentre as quais se incluía até agora a própria Itambé.

A todos os títulos, portanto, um sinal positivo que merece ser assinalado e festejado, talvez como indicador de uma reversão mais ampla, de valorização das empresas e negócios desenvolvidos a partir de Minas Gerais, plenamente capazes de devolver ao Estado o protagonismo que num passado ainda recente era uma de suas marcas.