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Aumento de preços do leite UHT indicam possível recuperação do mercado

27/10/2017 11:05:05 - Por: Assessoria de imprensa CILeite

A ligeira queda nos estoques da indústria, seguido de um possível arrefecimento da oferta primária justificam tal perspectiva.

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Após cinco meses de quedas sucessivas (maio a setembro) o preço do leite UHT no mercado atacadista de São Paulo começou a se recuperar nas primeiras três semanas de outubro. Pela transmissão dos preços ao longo da cadeia, este movimento pode refletir também nos preços pagos aos produtores, embora ainda seja precipitado qualquer afirmativa neste sentido, até porque as margens do setor industrial estão baixas. De todo modo, o importante é a constatação de que o mercado está virando. A ligeira queda nos estoques da indústria, seguido de um possível arrefecimento da oferta primária decorrente do impacto negativo da queda dos preços ao produtor desde junho e do final da safra na Região Sul justificam tal perspectiva. Essa situação pode trazer algum alento aos produtores, em especial para os de menor produtividade, geralmente os menos competitivos e mais afetados pela queda de preços. 

Por outro lado, não havendo reação dos preços recebidos no curto prazo, as margens dos produtores (em especial do grupo mencionado acima) podem ficar mais apertadas visto que os preços do milho e do farelo de soja, voltaram a se valorizar em setembro e outubro. A relação de troca entre os preços do leite e do concentrado, que desde janeiro era a melhor dos últimos quatro anos, está piorando para os pecuaristas (Figura 1). O preço da carne, que voltou a subir em agosto no mercado interno acumulando aumento de 15,2% até setembro, favorece também os produtores de leite, que tiveram no mesmo período redução de 11,2% no seu preço. A carne em alta aumenta a receita com o descarte de animais menos produtivos possibilitando aos produtores saldar compromissos de caixa em momentos de crise.


A oferta mundial de leite, que a partir de junho do ano passado apresentava variação negativa, voltou a crescer em março de 2017, graças principalmente ao crescimento consistente da produção na Europa. Em consequência, os preços mundiais começaram a recuar. Nos leilões da GDT, a cotação do leite em pó integral entre 16 de maio e 17 de outubro já acumula uma queda de 9%. 

No âmbito da balança comercial brasileira, entre junho e setembro de 2017, o volume total importado de lácteos, em litros equivalente, já reduziu 38,1%, como reflexo da maior competitividade do nosso preço frente ao produto importado. 

A Pesquisa Pecuária Municipal, divulgada pelo IBGE no início do mês, mostrou que a produção de leite do País caiu pela segunda vez consecutiva em 2016. Considerando o ano anterior, a queda de 1,5% verificada em 2015 foi seguida de outra de 2,8% em 2016, quando o Brasil produziu 1,5 bilhão de litros a menos em relação a 2014. A pesquisa mostra ainda que, entre as quatro principais regiões produtoras de leite do País, a Região Sul foi a única que aumentou sua produção, consolidando de vez sua posição à frente da Região Sudeste que já havia perdido sua liderança em 2015. Na média nacional, os dados divulgados apontam ainda para uma redução de 6,8% no número de vacas ordenhadas e um incremento de 4,2% na produtividade animal em relação a 2015. 

Considerando 2014, a queda no número de vacas chega a 15,1%, mesmo período em que a produtividade cresceu 11,7%. Isso mostra um importante movimento de modernização da pecuária de leite no Brasil, já que crescimento de produtividade vem acompanhado de aumento de competividade.