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Prêmio Queijo Brasil celebra a diversidade do queijo brasileiro

31/10/2017 09:36:43 - Por: Bom Gourmet, da Gazeta do Povo.

Em 2014, quando foi realizada a primeira edição do festival, o número de inscritos era de 134. O ano seguinte não teve prêmio, e a segunda edição foi realizada em 2016 com 236 inscritos.

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Para não depender da sorte, produtores e comerciantes de queijo têm adotado diferentes estratégias para divulgar suas marcas e produtos e manter o negócio funcionando. Das estratégias mais “básicas”, o bom e velho marketing: seja em formato de prêmio, promoção de uma região turística atrelada ao queijo ou a inauguração de uma loja de queijos do município, o movimento está ganhando força com o consumidor mais bem informado sobre os queijos brasileiros, o que garante a demanda para a imensa oferta.

Como prova dessa variedade, a terceira edição do Prêmio Queijo Brasil, que ocorreu entre os dias 26 a 29 de outubro, teve recorde de inscrições: foram 403 produtores de todo o país, com leites de vaca, cabra, búfala e ovelha, de leite cru a pasteurizado, do fresco ao maturado. Em 2014, quando foi realizada a primeira edição do festival, o número de inscritos era de 134. O ano seguinte não teve prêmio, e a segunda edição foi realizada em 2016 com 236 inscritos.

“Não tenho dúvidas de que em 2018 chegaremos a 500 inscritos”, aposta Bruno Cabral, idealizador do Prêmio Queijos Brasil e proprietário do Mestre-Queijeiro. Dos 403 queijos inscritos, 79% levaram medalhas: 40 ouro (das quais 5 são super ouro), 98 prata e 179 bronze. “Essas premiações dão visibilidade e trazem mais demanda do consumidor. Nossa loja começou há quatro anos e meio e hoje trabalhamos com mais de 300 queijos de mais de 60 produtores de 13 estados diferentes”, cita Luciana Spina, da loja A Queijaria.


Em janeiro, comerciantes de queijo do estado de São Paulo organizaram-se em uma associação própria, na qual Bruno preside o primeiro biênio. “As associações de produtores e comerciantes precisam caminhar juntas, porque o comércio direto e indireto precisa aumentar. Também o produtor de leite, o queijeiro e outros atores desta cadeia precisam estar em consonância”, avaliou.


As queijarias trabalham suas próprias estratégias dentro do circuito: na Queijo com Arte, na fazenda Santa Luzia em Itapetininga, um bistrô e venda direta. Em outras, o consumidor pode acompanhar as etapas de produção do queijo e conhecer a fazenda. Algumas, como a fazenda Santa Helena, em Jacupiranga, no Vale do Ribeira em São Paulo, trabalham com receitas diferentes, como o queijo de búfala maturado e lavado duas vezes na cachaça de cataia.

“Não temos nada que nos amarre, não há tradição local. Estamos constantemente pensando em como tornar nossos produtos mais diferentes. Tenho um queijo que é lavado com cachaça de mel e selado com cera de abelha. Uma burrata de búfala que leva creme de leite no lugar da manteiga e que deixa o queijo mais cremoso ainda”, exemplifica Pedro Delgado, proprietário da fazenda Santa Helena e dono de 50 cabeças de búfala. Sua produção diária é de 600 litros de leite e dependendo do tipo de queijo, vai de 3 a 8 litros — quanto mais tempo de maturação do queijo, mais leite.

Para estimular as novidades, desde o seu início, a loja A Queijaria promove cursos para os queijeiros, ensinando como maturar, entre outros processos.

Durante a feira Farofa, parte da programação do congresso Semana Mesa SP, tinha cerca de duas dezenas de produtores promovendo a degustação de seus queijos. Uma delas era a Caminho do Queijo Artesanal Paulista, em operação há quase três meses. A organização tem dez queijarias artesanais associadas, todas com ou em processo de conseguir o selo SISP, de inspeção sanitária do estado.