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Produtora Rural: Eles tinham que vir até aqui e ver o duro que é

21/11/2017 08:43:34 - Por: Valor Econômico

Entre junho e setembro eles normalmente precisam vender animais para suprir gastos, já que a produção de leite diminui com o clima seco.

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"Às vezes dá vontade de desistir, ir para São Paulo, tentar a vida na cidade. A vida no campo é muito dura", desabafa a produtora rural Valdineia Silva, de Barbacena (MG) ao falar da rotina do filho, Mateus, que começou a ajudar nas tarefas da roça com quatro anos, assim como ela. "Às vezes, ele vai à escola sem almoçar, porque o gado fugiu, porque a cerca arrebentou e não deu tempo para comer antes de o ônibus passar", conta a mãe. O menino não reclama, só sorri. Ele quer ser médico para cuidar da mãe.

A renda da família se aproxima da média mais pobre, variando conforme a época do ano. Entre junho e setembro eles normalmente precisam vender animais para suprir gastos, já que a produção de leite diminui com o clima seco. Nos meses mais fartos, a família apura perto de R$ 800 por mês.

"Tem mês que falta, tem mês que sobra pra gente comprar o que precisa", conta Valdineia. Como a família planta frutas, legumes e hortaliças, além de criar galinhas e porcos, não tem muito gasto com alimentação. Mas não sobra dinheiro para realizar um dos sonhos da filha Cailane, de 13 anos, que é fazer um curso de inglês.

É noite, Valdineia acende o fogo para servir um café. Sobre a reforma da Previdência, responde: "Isso é uma boca de roubo. Eles tinham que vir até aqui, acordar cedo como nós e ver o duro que é".