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Mercado do leite em 2017: da euforia para preocupação

28/11/2017 10:30:12 - Por: Embrapa Gado de Leite

Interessante observar que, enquanto a indústria vem amargando margens abaixo da média histórica para leite UHT e queijo muçarela há mais de um ano, para o leite pasteurizado é diferente.

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Após um ano (julho/2016 a junho/2017) recebendo preços reais pelo leite acima dos valores praticados nos dois anos anteriores, o produtor brasileiro viu a inversão desse cenário positivo para a atividade leiteira. A redução dos preços reais ao produtor, que nos últimos anos ocorreu a partir de setembro, em 2017 iniciou-se dois meses antes, em julho e de forma bastante expressiva, com queda de 23% até outubro (Figura 01). Somado a isso, os preços do milho e da soja, que estavam em baixa devido a safra recorde de grãos, começaram a se valorizar nos últimos meses por conta do aumento das exportações e das expectativas de uma safra menor no próximo ciclo. Nesse cenário, a atividade leiteira nacional passou de um primeiro semestre de euforia, com preços do leite ao produtor elevados e custos de produção em queda contínua, para um segundo semestre de preocupação, com a redução do preço do leite e o aumento nos custos.

No atacado e varejo, a situação não é diferente. O preço nominal do leite UHT no atacado começou a cair em maio, enquanto que no varejo, as quedas começaram em junho. Interessante observar que, enquanto a indústria vem amargando margens abaixo da média histórica para leite UHT e queijo muçarela há mais de um ano, para o leite pasteurizado é diferente. Apesar de ocupar um mercado mais local, com maiores custos de distribuição devido à refrigeração, alguns fatores podem explicar essa situação. O menor custo de embalagem, as vendas institucionais para escolas e hospitais e o maior poder de negociação da indústria sobre os pontos de venda, associado ao fato do leite tipo A ter se tornado um produto premium têm contribuído para esse cenário favorável para o segmento de pasteurizado.

Para os produtores de leite, um aspecto positivo foi a reação, ainda que modesta, do mercado do leite UHT em São Paulo a partir da terceira semana de outubro. Entre 16/10 e 17/11, a cotação diária do leite UHT aumentou 4,6%, fechando o período em R$2,11/litro. Esse início de recuperação, tende a minimizar a queda do preço do leite ao produtor em novembro com perspectivas de estabilidade ou até ligeiro aumento a partir de dezembro, em função da grande influência que este mercado exerce sobre o preço ao produtor. A grande incerteza refere-se à dinâmica da economia e como isso afetará a demanda por produtos lácteos.

As importações de leite do Brasil, que no passado recente serviram para aumentar a oferta interna, estão reduzindo substancialmente. Em setembro de 2016, o País teve um pico de importações de leite em pó com a internalização de quase 20 mil toneladas. Desde então, as importações vêm reduzindo, sendo que nesse último mês de outubro, os volumes importados foram próximos a 5 mil toneladas.

No mercado internacional, após nove meses consecutivos de queda, a oferta global de leite voltou a crescer a partir de março, puxado pelos Estados Unidos, União Europeia e Oceania. Essa elevação recente da oferta pressionou as cotações internacionais, que registraram quedas nos últimos leilões da Plataforma Global Dairy Trade (GDT). O leite em pó integral fechou o dia 21/11 em US$2.778 por tonelada, valor 11% menor em relação a setembro. De todo modo, a expectativa é de cotações próximas de US$3.000 por tonelada ao longo de 2018.


Figura 1. Preço real do leite pago ao produtor, deflacionado pelo ICPLeite / Embrapa: Janeiro de 2014 a outubro de 2017. Fonte: CEPEA / Embrapa Gado de Leite