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Como permanecer inovador na categoria de lácteos?

18/12/2017 15:03:46 - Por: Dairy Reporter, traduzidas pela Equipe MilkPoint

Uma das, se não as maiores tendências de consumo no momento, é a tendência de produtos naturalmente funcionais, e a indústria láctea se encaixa nisso.

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Embora muito falada, a "inovação" não é simplesmente uma palavra da moda, mas é o cerne das estratégias corporativas de muitas empresas de produtos lácteos. O webinário ao vivo Dairy Innovation, do Dairy Reporter, reuniu três especialistas da indústria para colocar esse termo em contexto. O desenvolvimento de ideias inovadoras é um equilíbrio entre atender as necessidades diretas dos consumidores e identificar novas necessidades dentro da categoria, de acordo com Kevin Deegan, PhD, gerente de insights do consumidor da empresa finlandesa Valio.

"Temos a responsabilidade de lançar inovações excitantes, que provavelmente não respondem imediatamente a uma necessidade, mas podem desenvolver suas próprias necessidades ao longo do tempo. Em produtos lácteos, existe um equilíbrio entre a inovação liderada pelo consumidor e a inovação liderada por tecnologia". A Valio, por exemplo, lançou um leite em pó com baixa lactose em 1978, uma decisão não impulsionada pela crescente demanda dos consumidores. Em 2001, a empresa lançou o leite completamente sem lactose usando sua própria tecnologia patenteada.

Por meio da educação do consumidor e continuamente atualizando sua gama de produtos, o leite sem lactose é agora norma na Finlândia e em grande parte da Europa, sendo visto como uma alternativa saudável devido à iniciativa da empresa de responder a essa necessidade, afirmou Deegan.

No entanto, os desenvolvedores de produtos lácteos e os processadores devem ainda avaliar a viabilidade comercial e estabelecer expectativas de desenvolvimento realistas quando se trata de colocar as novas ideias no mercado. "A inovação, embora excitante, também é muito difícil", disse Anand Rao, PhD, vice-presidente de ingredientes da Agropur. 

Sinéad Proos, gerente sênior de inovação e comercialização da Food for Health Ireland (FHI), acrescentou que explorar uma ideia inovadora e viável na categoria de produtos lácteos depende da compreensão integral do estado atual do mercado, ambiente regulatório e cenário tecnológico. "Você precisa perceber que isso não vai acontecer da noite para o dia", disse Proos. "Não se trata apenas de ter ótimas ideias, mas realmente se certificar de que você desenvolva uma sequência".

A base da descoberta de ideias novas e inovadoras no setor lácteo gira em torno do "desenvolvimento de bioativo competitivo", de acordo com a Proos. Ela acrescentou que um foco nutricional na saúde intestinal será a chave para a próxima onda de inovação no espaço de lácteos. "O grande aspecto que vemos é o foco em produtos lácteos fermentados, seja de proteínas, seja de lactose, seja de leite em si, e realmente avaliar como isso impacta nos efeitos sobre a saúde da composição do leite", disse ela.

"Estamos em uma onda de proteínas agora, mas acho que vamos começar a ouvir mais sobre lipídios lácteos". A customização de produtos lácteos também se tornará mais prevalente, mas não está claro como a indústria de lácteos irá capturar essa tendência no momento, de acordo com Deegan.

A fonte de muitas ideias novas para o espaço dos lácteos virá de parcerias entre pequenas e grandes empresas, de acordo com Rao. A Agropur lançou o seu "Inno Challenge", um programa de incubadoras focado no desenvolvimento de empresas que oferecem novas formas do consumidor experimentar produtos lácteos. "Através destas plataformas de inovação, estamos criando incubadoras para pequenos fabricantes a fim de trazer ideias e desenvolver elas, para que possamos fornecer os recursos que temos disponíveis nessas grandes organizações, permitindo que essas ideias inovadoras prosperem".

O aumento produtos alternativos aos lácteos baseados em plantas deve ser visto como uma oportunidade em vez de uma ameaça, de acordo com Deegan, que observou que a indústria de lácteos precisa primeiro entender porque as pessoas estão comprando mais produtos veganos ou sem lácteos. "A quantidade de pessoas que se identificam como veganos não aumentou, mas o que aumentou é o interesse em um estilo de vida vegano e produtos veganos", disse Deegan.

Quando a Valio perguntou aos consumidores na Finlândia porque eles consumiam produtos não lácteos, a principal razão dada foi a variedade na categoria, indicando que muitos consumidores não estão escolhendo produtos vegetais por razões éticas.

"Quando pensamos sobre os tipos de produtos (por exemplo, leites e queijos) que estão surgindo na categoria de produtos não lácteos, a referência é o produto lácteo", disse Deegan. "Esses produtos não lácteos miram sabores e texturas de produtos lácteos", acrescentou Rao, dizendo que o setor lácteo deve se perguntar porque os consumidores estão migrando para produtos alternativos a fim de também atender a essas demandas. "Eu acho que precisamos estar um pouco mais orgulhosos e um pouco mais corajosos no que dizemos sobre nossos produtos e defender os benefícios funcionais dos lácteos", acrescentou Deegan.

Uma das, se não as maiores tendências de consumo no momento, é a tendência de produtos naturalmente funcionais, e a indústria láctea se encaixa nisso.