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Em queda livre, preço do leite desanima o produtor

19/12/2017 10:32:22 - Por: O Diário

O preço do leite para o produtor chega à segunda quinzena de dezembro valendo menos de R$ 0,98 o litro na região de Maringá.

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Em queda desde julho, o preço do leite para o produtor chega à segunda quinzena de dezembro valendo menos de R$ 0,98 o litro na região de Maringá, valor 8,9% menor na comparação com igual período do ano passado, aumentando o desestímulo dos produtores, que dizem que esta situação vem de anos. A diminuição dos preços do leite no campo está atrelada à demanda ainda enfraquecida por lácteos e ao aumento da captação.

A médica veterinária Carolina Veras, da Emater em Iguaraçu, disse ontem que mesmo na região de Maringá há uma variação considerável. Enquanto em Iguaraçu o produtor entregava o produto a R$ 0,98 o litro, em outros municípios o preço era ainda menor.

"Em todo o Brasil os preços do leite variam muito de acordo com a época do ano, mas neste ano os preços estão baixos desde julho. É normal que durante o inverno, quando as pastagens são castigadas por geadas e longas estiagens, a produção caia e os preços subam, mas desta vez o que subiu foi muito pouco e a queda voltou a acontecer tão logo recomeçaram as chuvas e as pastagens melhoraram", explicou.

Segundo ela, a produção subiu muito e, como o consumo está baixo, há leite demais no mercado e a consequência é a desvalorização do produto.

A queda drástica dos preços no segundo semestre prejudicou a margem dos produtores, que já estava apertada. "Toda a pecuária está sofrendo nos últimos anos, mas o setor do leite é o mais sacrificado e isto desestimula os produtores", diz a veterinária. Como a agricultura, especialmente a soja e o milho, vêm de sucessivos êxitos nos últimos anos, muitos produtores estão deixando o leite para investir no que parece mais seguro.

É o caso de Leoni Mochi, de Colorado, que já não entrega mais leite para os laticínios. Além dos preços ruins, ele diz que outro fator que pesou em sua decisão foi a mão de obra. "A margem para o produtor era tão pequena que eu não podia contratar uma pessoa para cobrir as folgas do meu funcionário".

Mochi, que nos bons tempos chegou a entregar 1,4 mil litros por dia, mesmo sem investir em vacas de raças que têm como principal característica uma excelente capacidade leiteira, migrou para a cria de gado solteiro e plantio de soja e milho, assim como fizeram vários de seus vizinhos.

Como ele só teria condições de contratar alguém para cobrir as folgas do retireiro se produzisse acima de 4 mil litros de leite por dia, na soja e no milho ele não enfrenta problemas com mão de obra e os preços garantidos pelas cooperativas, mesmo não sendo dos melhores, não estão sujeito aos mesmos humores que atingem a produção leiteira.