Home » Cadeia do Leite » Com ou sem Lactalis, vida segue para produtor

Com ou sem Lactalis, vida segue para produtor

21/12/2017 09:35:34 - Por: Valor Econômico

Cooperados da CCPR, que vendeu Itambé à francesa, dizem que o importante é preço justo para o leite.

Responsive image
No início do mês, João Carlos e Adriana souberam por uma mensagem de WhatsApp que o grupo francês Lactalis havia comprado a Itambé Alimentos. O casal é dono de uma fazenda na cidade de Abaeté, centro-oeste de Minas Gerais. Os dois ganham a vida produzindo leite. "Toda vida eu vendi para a Itambé, nunca mudei" conta João Carlos de Oliveira, de 45 anos na varanda de sua casa. Na sexta passada, a venda da Itambé foi suspensa por uma liminar da Justiça. Mas o que esperar se a empresa for mesmo vendida aos franceses?

É essa a pergunta que passou a ser feita por milhares de famílias em Minas e Goiás, que como a de João e Adriana, fornecem há anos leite para a Itambé. A resposta que está na cabeça de muitos é objetiva. "Se não pagarem um preço justo pelo leite, os produtores estão livres para deixar de vender para a Itambé. A gente sempre tem que andar para frente, se não for bom para a gente...", diz Adriana Costa Oliveira, de 41 anos, enquanto põe na mesa uma garrafa de café e punhado de pães de queijo.

Ela, o marido e o filho Sérgio, veterinário, produzem hoje 2,4 mil litros por dia e têm 115 vacas em lactação. Têm uma relação com a Itambé de mais de duas décadas. E as mudanças recentes na empresa não assustam mais a família.

O laticínio, que desde os anos 1940 pertenceu à Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais (CCPR) - da qual João e Adriana são uma das 8,5 mil famílias cooperadas em Minas e Goiás - teve 50% de se capital comprado pela Vigor, da J&F, em 2013. Em agosto deste ano, a mexicana Lala comprou a Vigor, o que levou a CCPR a exercer seu direito de preferência e anunciar que recompraria os 50% da Itambé, para voltar ter o controle da empresa.

A recompra pela central foi concluída no dia 4 de dezembro, mas no dia seguinte a CCPR anunciou que vendeu 100% das ações da Itambé para a Lactalis, uma operação de R$ 1,9 bilhão.

O grupo francês se tornou, de um dia para outro, o maior comprador de leite do país. Mas a operação foi contestada judicialmente pela Vigor e um juiz suspendeu liminarmente o negócio. A CCPR recorreu e ninguém sabe ainda o que sairá dessa disputa.

"Até agora, nenhuma das operações envolvendo a Itambé trouxe mudança para o produtor", diz Eustáquio Márcio de Oliveira, presidente da CooperAbaeté, umas das 31 cooperativas filiadas da CCPR. "O que preocupa o produtor é ter assistência técnica, receber em dia e que lhe paguem um bom preço pelo leite", afirma. Nesses anos de idas e vindas da Itambé, a CCPR não deixou de captar o leite nem de prestar assistência técnica ao produtor, afirma.

Oliveira é um dos integrantes do conselho da CCPR e afirma que pelo acordo acertado com a Lactalis - agora sub judice -, a CCPR vai continuar captando leite para a Itambé pelos próximos dez anos, período renovável mais dez anos. Não há, no entanto, e não está previsto, nenhum acordo que obrigue os produtores ligados às cooperativas que formam a CCPR a vender seu leite para a instituição.

"O que garante que os produtores continuem fornecendo leite para a CCPR e Itambé é que seu leite seja comprado por um preço justo ou compatível com o mercado", diz Oliveira, que também produz leite em Abaeté. Em 2016, o preço pago aos produtores chegou a perto de R$ 2 por litro, mas este ano os laticínios pagaram por volta de R$ 1,20.

"De repente, a coisa tende a melhorar se esse grupo entrar mesmo", diz José Miranda de Sales. Ele é dono de 400 hectares entre Abaeté e Cedro do Abaeté, produz 3,3 mil litros por dia e desde os anos 90 vende para a Itambé. "Hoje estou pagando para trabalhar. A gente tem esperança que esses franceses olhem mais as condições de quem produz o alimento", afirma.

Um dos maiores produtores de leite da região, Eugênio Antônio da Costa, não alimenta expectativa de grandes mudanças nos preços pagos pela Itambé, com ou sem os franceses. É uma questão de mercado e ponto final, diz.

Produtores de leite como Costa, que fornecem para a CCPR, acompanham a dança de bilhões de reais envolvendo a Itambé, Lactalis e Vigor, mas esse é um assunto do qual poucos participam diretamente. Costa como a maioria, está centrada no dia a dia da propriedade. "Estou fazendo um investimento de R$ 1 milhão para aumentar a produção de leite", diz. O investimento é na construção de um curral com telhas metálicas mais 200 metros de comprimento onde Costa pretende deixar confinadas cerca de 360 vacas produzindo leite. As obras estão em fase final e a perspectiva do fazendeiro é aumentar a produtividade de cada animal dos atuais quase 20 litros por dia para 27 a 28 litros.

"Tenho sido fiel à Itambé, mas não sei até quando", disse ele enquanto mostra o galpão em obras. "Nem eu nem ninguém tem contrato fixo com a Itambé." Se achar, continua ele, que é melhor passar a fornecer para Nestlé ou Embaré - outros dois laticínios da região - será um movimento simples. Demanda sempre existe, diz.




hacklink child porno hacklink medyum beylikdüzü escort chip satışı zynga chip zynga chip chip satışı istanbul evden eve nakliyat sancaktepe evden eve nakliyat mersin escort