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Como garantir uma silagem nutritiva e uniforme

21/12/2017 10:35:57 - Por: Revista Mundo do Leite na edição 82

Picadora deve ter, antes de tudo, facas afiadas. Amolagem constante é a regra.

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Cocho cheio de silagem e animais afoitos em busca de alimento. Consumido o produto, você já parou para olhar o que sobra? São partículas maiores e desuniformes, sinais de desperdício e de uma silagem que não foi feita com cuidado. Isso porque, também no cocho, os animais selecionam as partículas menores e rejeitam as frações maiores de fibra, explica o professor do Centro de Pesquisas em Forragicultura da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Patrick Schmidt. Como consequência, informa, há o desbalanceamento nutricional, o menor consumo de FDN e risco de acidose em dietas com alto teor de concentrado.

No gado de leite, pesquisas norte-americanas relatam que, para cada 5% de redução na variação de partículas longas, os animais produziram 1 quilo de leite a mais. Para a ensilagem em si, a variação de partículas, com partes muito longas, dificulta o adensamento e causa maior porosidade da massa ensilada, o que é prejudicial ao processo de fermentação. Portanto, vale a manutenção do maquinário e o rigor na hora de fazer a ensilagem.

A principal atenção deve estar nas facas de corte, independentemente do tamanho do equipamento. Máquinas maiores fazem a amolação automaticamente assim que identificam erros nas facas. “Mas é preciso trocar a pedra de amolação e manter o compartimento limpo, para que ela possa cumprir seu objetivo”, explica o coordenador de campo Wagner Costa, do Grupo Bouwman, antiga Cia. da Silagem, de Castro (PR). As máquinas menores ou mais antigas dependem de vistoria para dar início ao processo de amolação, e, para outras, a prática é manual. “A pedra também vai se desgastando e precisa ser substituída para que possa fazer um bom trabalho”, lembra o diretor da Siltomac, Omar Casale, de São Carlos (SP). O processo de picagem não se resume apenas em atenção à faca, mas também à contrafaca, que precisa diretor da Siltomac diz que a borda da contrafaca não pode estar arredondada, mas com as quinas novas para melhor performance.

Ainda sobre os equipamentos, além da lâmina de corte, todas as partes, como o rolo alimentador e suas molas, precisam estar reguladas. Eles devem estar alinhados para que, “quando recolherem os feixes da planta, os enrolem corretamente, mantendo-os bem apertados para que a máquina possa cortar uniformemente”, explica Costa, do Grupo Bouwman. Por fim, o produtor deve se atentar ao estado de conservação dos dispositivos responsáveis por quebrar o milho. Os grãos devem ser quebrados durante essa fase, pois “grão inteiro no silo será grão inteiro nas fezes, ou seja, sem aproveitamento”, explica o professor Schmidt.

Ele sugere que, antes de iniciar a colheita, seja feito um teste e se colham uma ou duas linhas para avaliar o tamanho da partícula e o funcionamento do equipamento, como também o processo da equipe. Por fim, o fator humano vai interferir no tamanho da partícula, pois, dependendo da velocidade empregada, a partícula poderá ficar maior ou menor. Casale, da Siltomac, sugere ainda que ao fim do dia de trabalho seja feita uma verificação e amolagem das facas, regulagem das peças e lubrificação de partes importantes. “Sem excesso de lubrificante”, enfatiza. Uma máquina mal regulada resulta em maior esforço, o que aumenta seu consumo de combustível e compromete seu desempenho e vida útil.