Home » Cadeia do Leite » Altos e baixos do mercado de leite em 2017

Altos e baixos do mercado de leite em 2017

29/12/2017 10:55:34 - Por: CILeite. Foto: Pixabay

O elevado número de laticínios, com baixa escala de produção, alta ociosidade e a fragilidade da demanda interna explicam boa parte do aperto nas margens das empresas.

Responsive image
Ao longo de 2017 destacamos as questões conjunturais mais relevantes para a cadeia produtiva do leite. Pode-se dizer que foi um ano bastante complexo e com alternância de cenários. Para o produtor, o primeiro semestre foi bastante positivo em termos de preços do leite e custos de produção. Já o segundo semestre, em especial o último trimestre, tem sido mais difícil em função da forte queda na rentabilidade. Para a indústria, o ano foi complicado em termos de rentabilidade, do início ao fim. O elevado número de laticínios, com baixa escala de produção, alta ociosidade e a fragilidade da demanda interna explicam boa parte do aperto nas margens das empresas.

No mercado interno, os efeitos da queda de preços ao produtor e o aumento dos custos de produção já refletiram na oferta. Apesar da taxa de crescimento acumulada até setembro indicar expansão de 4,3% da produção de leite sob inspeção, o crescimento do último trimestre será bem mais modesto, terminando o ano com crescimento de aproximadamente 3,5% (Figura 1). Em novembro de 2017, o preço pago ao produtor de leite ficou praticamente estável e com tendência de estabilidade ou ligeiro aumento em dezembro. A dificuldade para aumentos maiores de preços é que os laticínios não estão conseguindo reajustar os preços para os varejistas.

Figura 1. Produção de leite sob inspeção: em milhões de litros.
Fonte: IBGE / Embrapa Gado de Leite

Um aspecto positivo para o setor é que o consumo começou a reagir. Os dados do terceiro trimestre indicaram um aumento de 2,6% no volume de vendas de produtos lácteos ao consumidor, na comparação com o mesmo período do ano passado. Trata-se de um importante resultado, considerando que no primeiro semestre as vendas caíram 4,5%. As baixas cotações do leite ao consumidor e a recuperação da economia, ainda que lentamente, têm contribuído para essa retomada do consumo.

Somado a isso, os mais recentes indicadores econômicos do Brasil têm mostrado recuperação. O índice de confiança do consumidor está melhorando. Os indicadores de PIB e Consumo das Famílias também voltaram a crescer a partir do segundo trimestre de 2017. Após praticamente quatro anos em declínio, os investimentos voltaram a registrar crescimento. Foram gerados 302 mil empregos no período de janeiro a outubro, segundo os dados do Caged. Com isso, a massa real de rendimentos (emprego x salário) está 4% superior a verificada há cerca de um ano e tem incentivado as vendas do varejo. Portanto, apesar de toda fragilidade da economia brasileira vivenciada no período recente, um bom conjunto de indicadores têm mostrado sinais de recuperação. Espera-se que estes indicadores se traduzam em aumento do consumo de lácteos e maior espaço para algum reajuste de preços ao longo da cadeia produtiva no próximo ano.

De todo modo, a expectativa é de que o primeiro semestre de 2018 seja ainda complicado para os produtores de leite em termos de rentabilidade. Isso deverá se refletir também em um ritmo de expansão da oferta abaixo do registrado até o momento em 2017. Finalmente, é bom lembrar que 2018 traz um grande componente de incerteza devido às eleições no País, o que afeta as expectativas dos agentes econômicos e adiciona volatilidade na taxa de câmbio, impactando também em outras variáveis como a balança comercial e os preços de insumos e produtos mais atrelados ao dólar.