Home » Cadeia do Leite » Em três meses, um prêmio internacional

Em três meses, um prêmio internacional

08/01/2018 11:22:04 - Por: O Estado de S. Paulo

Guilherme, de 35 anos, começou a produzir o queijo canastra em março de 2017 e, em junho, já havia ganho uma medalha de prata no mundial da França.

Responsive image
Guilherme Henrique Silva, de 35 anos, começou a produzir o queijo canastra em março de 2017 e, em junho, já havia ganho uma medalha de prata no mundial da França. O queijo premiado foi feito na antiga queijaria usada pelo avô, antes de Silva fazer novas instalações de acordo com a legislação atual. “O queijo sempre foi a principal fonte de renda dos meus avós, apesar de que, naquela época, não era tão valorizado como é hoje em dia”, conta ele.

O produtor diz que, antes de morrer, aos 90 anos, o avô transferiu toda a administração para os netos. Mal sabia ele que os herdeiros iriam tão longe com o tradicional queijo de leite cru, mesmo tendo passado a vida toda ensinando aos netos o processo de produção. Na infância, a fabricação do queijo fazia parte das brincadeiras – era comum os avós incentivarem os netos a fazer os próprios “queijinhos” para comerem no lanche.

Silva nasceu em Campinas, no interior de São Paulo, mas sempre morou em São Roque de Minas. Ele e os irmãos se mudaram para Lavras, na região do Campo das Vertentes (MG), para cursar Agronomia. Depois veio o mestrado em Viçosa (MG). “Nessa época, a gente vinha para São Roque apenas nas férias e nos feriados.” Só em 2010 Silva voltou para a cidade, onde chegou a exercer a profissão. Mas, em seguida, já começou a produzir o queijo. “Sempre tive vontade de ter uma queijaria minha, mas o produto não era valorizado.” 

O prêmio na França foi o empurrão que Silva precisava para entrar de vez no setor e lançar o seu queijo, o Capela Velha. Mas, ao contrário do avô, que sempre vendia o queijo canastra ainda fresco (o que dava menos valor ao produto), decidiu comercializar o queijo curado, mais caro. Hoje, ele produz 20 peças de queijo por dia e tem planos para aumentar esse número para 25 a 28 peças. “Minha preocupação é manter a história da fazenda e da família, porque aqui todo mundo sabe fazer queijo. A diferença está na história de cada um.”