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Retomada da demanda e menor oferta podem elevar preços dos lácteos em 2018

18/01/2018 09:16:53 - Por: Natália Grigol, Caio Monteiro e Lucas Henrique Ribeiro em Boletim do Leite Cepea-Esalq/USP

Os preços do leite no campo são sazonais e a volatilidade das cotações é uma característica da dinâmica do setor, que deve continuar em 2018.

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2018 sinaliza a diminuição do desequilíbrio entre demanda e oferta, o grande “vilão” de 2017. Do lado da demanda, as perspectivas de recuperação da atividade econômica devem melhorar as vendas. Já a oferta deve se reduzir em comparação com 2017, possibilitando patamares mais elevados de preços.

Pesquisadores do Cepea apontam que a demanda por lácteos, especialmente iogurtes e queijos (com exceção do leite longa-vida), é elástica à renda – ou seja, o consumo aumenta à medida que o poder de compra se eleva. De acordo com o último Boletim Focus, a taxa de juros e a inflação devem continuar em queda e o PIB deve crescer entre 2% e 3%, o que indica a possível continuidade da melhora da taxa de emprego e do consumo interno.

Por outro lado, a difícil crise enfrentada pelo setor em 2017 pode ser fator de grande desestímulo à produção leiteira. As margens limitadas influenciaram a saída da atividade de parte dos produtores mais vulneráveis, assim como também forçaram a diminuição de investimentos de outros – o que pode resultar em perda de volume e qualidade da produção em 2018. Além disso, o custo do concentrado, principal insumo da atividade, pode ser um pouco mais elevado por conta dos preços do milho – cereal que deve se valorizar ligeiramente em 2018. Ainda assim, o alto estoque de passagem deve manter elevada a disponibilidade interna do cereal, impedindo grandes oscilações de preços. Todos esses fatores indicam que a expansão da capacidade produtiva de leite deve ser limitada em 2018, o que pode refletir em preços mais elevados tanto para o produtor quanto para a indústria.

Ainda que esses fatores despontem como possibilidades para 2018, não é possível ignorar as instabilidades e incertezas relacionadas à próxima eleição presidencial. Além disso, o La Niña pode ocorrer neste início do ano, podendo reduzir as chuvas, principalmente no Sul/Sudeste, impactando na qualidade das pastagens e na produção de grãos. Os preços do leite no campo são sazonais e a volatilidade das cotações é uma característica da dinâmica do setor, que deve continuar em 2018. Desse modo, os produtores devem focar sua gestão em margem e não em preços. Isso envolve ser eficiente. Produtores que trabalham constantemente com o intuito de obter indicadores, como taxa de mortalidade pré-desmama abaixo de 3%, intervalo entre partos de 12 a 14 meses e 80% de vacas do rebanho em lactação, são mais eficientes em relação à média nacional. Certamente, eles vão obter resultados financeiros melhores e estão menos propensos a abandonar a atividade leiteira.




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