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Déficit da balança comercial de lácteos recua 30,7% em 2017

18/01/2018 10:43:25 - Por: Lucas H. Ribeiro e Natália Grigol, em Boletim do Leite Cepea-Esalq/USP

O déficit recuou devido à diminuição de 31,8% do volume importado pelo Brasil durante o ano, que totalizou 1,282 bilhão de litros em equivalente leite em 2017.

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As exportações de lácteos recuaram 46,8% em dezembro/17, enquanto as importações aumentaram 16,9% frente ao mês anterior. Com isso, a balança comercial de lácteos fechou o ano com saldo negativo de 1,14 bilhão de litros em equivalente leite. O déficit, no entanto, é 30,7% menor que o do ano anterior (de 1,64 bilhões de litros), conforme dados da Secex.

O déficit recuou devido à diminuição de 31,8% do volume importado pelo Brasil durante o ano, que totalizou 1,282 bilhão de litros em equivalente leite em 2017. O menor volume importado, por sua vez, esteve atrelado a quatro fatores principais: maior captação nacional; baixos preços no mercado doméstico; demanda enfraquecida do mercado interno; e a alta dos preços dos lácteos importados, que estiveram, em média, 16,6% acima do registrado em 2016.

A valorização dos lácteos no mercado externo ocorreu por conta da menor produção mundial. Argentina e Uruguai continuam sendo os principais fornecedores de lácteos ao Brasil, com respectivas participações de 47% e de 42% na quantidade total importada no ano passado. O preço dos leites em pó argentinos importados pelo Brasil em 2017 teve média de US$ 3,09/kg em 2017, valor 12% maior do que a média de 2016. No caso dos leites em pó uruguaios, a média dos preços foi de US$ 3,24/kg, 18% acima da registrada no ano anterior. Para os queijos, a média dos produtos argentinos foi de US$ 4,53/kg, e a dos uruguaios, de US$ 3,60/kg, respectivas altas de 22% e de 7%.

Já quanto às exportações de lácteos, o volume embarcado também diminuiu. Em 2017, o Brasil exportou 141,8 milhões de litros em equivalente leite, quantidade 39,9% menor que a registrada em 2016. Essa queda esteve atrelada à redução de 81% dos embarques de leites em pó para a Venezuela, que já foi o principal comprador dos lácteos brasileiros. Assim, o leite em pó, que foi o lácteo mais importante na pauta de exportações, representou 14% dos embarques em 2017, enquanto o leite condensado passou a representar 47% do total exportado.


A valorização do Real frente ao dólar também teve influência no recuo das exportações brasileiras em 2017. No ano passado, o dólar teve média de R$ 3,19, queda de 8,3% frente à média de 2016 (R$ 3,48). Por outro lado, os preços negociados pelo Brasil no mercado externo subiram, em média, 7% de 2016 para 2017, em função da valorização mundial dos lácteos. Nesse cenário, os derivados que tiveram as maiores altas foram o leite condensado, o creme de leite, queijos e o leite modificado, que, juntos, responderam por 71% do volume total embarcado. Apenas os leites em pó se desvalorizaram, passando de US$ 5,57/kg para US$ 4,40/kg, em média, queda de 21,1%.

Dessa forma, o déficit da balança comercial de lácteos em dólar em 2017 foi de US$ 454,5 milhões, recuou de 7,4% frente a 2016.