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Efeitos negativos do estresse térmico na reprodução de bovinos

24/01/2018 10:30:57 - Por: Thais Alves Rodrigues, pesquisadora da Cenatte Embriões em Portal DBO. Foto: Liliane Bello/Embrapa

Temperatura em nível inadequado provoca a queda da fertilidade de vacas produtoras de leite.

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Os bovinos são animais que regulam a temperatura corporal interna pelo balanço entre a quantidade de calor metabólico produzido e o calor dissipado para o meio ambiente. O aumento do calor corporal resulta em estresse térmico, que ocorre quando o aumento da temperatura ambiental eleva a temperatura corporal acima do ponto de equilíbrio. Frente ao estresse, o animal ativa uma série de mecanismos fisiológicos a fim de manter sua temperatura interna em níveis adequados.

O estresse térmico compromete a produtividade e a reprodução dos rebanhos. Esta condição ambiental adversa afetada gravemente a produção de leite principalmente nos países tropicais e subtropicais, onde a temperatura elevada reduz a fertilidade em vacas nos meses quentes. Estima-se que o prejuízo na produção de leite nos Estados Unidos devido ao estresse térmico varie entre U$ 897 milhões e U$ 1,5 bilhão por ano.

O estresse térmico no verão é um dos fatores que mais contribui para a queda da fertilidade de vacas produtoras de leite, sendo um problema que afeta aproximadamente 60% da criação de bovinos do mundo. A magnitude dos efeitos deletérios do estresse térmico na fertilidade é mais acentuada em vacas de alta produção leiteira, pois o alto metabolismo associado à lactação propicia hipertermia. Além disso, a redução na fertilidade causada pelo estresse térmico é mais acentuada em vacas do que novilhas.

Estudos realizados no Brasil demonstraram que a taxa de concepção de vacas Holandesas expostas ao estresse térmico em free stall caiu de 71,2 para 45,7% quando a temperatura ambiental aumentou de 19 °C (inverno) para 25,6 °C (verão). Outros estudos demonstraram que o estresse térmico em Holandesas afeta a taxa de blastocisto de vacas, assim como de novilhas.

A infertilidade causada pelo estresse térmico é um problema de ordem multifatorial, pois afeta as funções fisiológicas e celulares em vários tecidos. No que diz respeito à função reprodutiva, o estresse térmico compromete o crescimento folicular, a secreção hormonal, a composição do fluido folicular, a função do endométrio, o fluxo sanguíneo para o útero; e a capacidade de desenvolvimento do oócito e do embrião. No entanto, sabe-se hoje que o oócito e o embrião são os alvos principais dos efeitos deletérios induzidos pelo estresse térmico.

O aumento da temperatura corporal pode afetar o oócito em diversos aspectos, gerando efeitos negativos que levam de 2 a 3 ciclos estrais para serem recuperados. Os efeitos negativos do estresse térmico já foram demonstrados em diferentes raças. Oócitos coletados de vacas Holandesas sob condições de estresse térmico sazonal e submetidos à fecundação in vitro resultaram em reduzida taxa de blastocisto.

Experimentos com vacas Gir demonstraram que o aumento da temperatura leva a mudanças na dinâmica folicular, redução do tempo de estro, aumento do período sem atividade cíclica e redução na taxa de blastocisto. Outro experimento com vacas Nelore demonstrou que o número total de oócitos aspirados foi reduzido no tratamento estresse térmico, assim como sua qualidade.

A redução na competência de desenvolvimento observada em oócitos submetidos a temperaturas elevadas in vivo deve-se as inúmeras alterações celulares e moleculares induzidas nestes gametas. Portanto, o manejo adequado dos animais em situações de temperatura elevada se torna essencial para o sucesso reprodutivo, tanto in vivo quanto in vitro.




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