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Faemg pede mais prazo para renegociações de dívidas dos pecuaristas de leite

05/02/2018 10:27:10 - Por: Diário do Comércio

Diante da baixa remuneração aos produtores, entidade solicita melhores condições para pagamento de dívidas.

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O auge da safra de leite em Minas Gerais provocou mais uma queda nos valores do produto. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a retração, na comparação mensal, chegou a 2,93% no preço líquido recebido em janeiro, pelo leite entregue em dezembro. As quedas consecutivas agravam ainda mais a situação dos pecuaristas, que estão desestimulados, acumulando prejuízos e dívidas. Diante do cenário negativo para o setor do leite, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg) encaminhou à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) um ofício solicitando apoio junto ao governo federal para que o pacote de medidas para a renegociação de dívidas dos pecuaristas tenha novos prazos e regras.

De acordo com a Faemg, o pacote de medidas foi anunciado em novembro de 2017 pelo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi. Com as medidas, os pecuaristas de leite tinham até 29 de dezembro daquele ano para requerer junto às entidades financeiras a renegociação das dívidas referentes ao crédito rural. Porém, muitos produtores encontraram dificuldades em negociar junto aos bancos.

Com a manutenção dos preços do leite em baixa e a situação cada vez mais crítica do setor leiteiro, a Faemg solicitou o prolongamento do prazo para a renegociação das dívidas. Outra ação requerida é a publicação de uma resolução, por parte do Banco Central, dando legitimidade à prorrogação dos débitos.

A coordenadora da assistência técnica da Faemg, Aline Veloso, explica que sem a publicação da resolução por parte do Banco Central, produtores encontraram dificuldades de negociação nas entidades bancárias.

“Recebemos várias informações de que os produtores de leite não tiveram tempo hábil para solicitar a renegociação dentro do prazo estipulado, que era até 29 de dezembro. O produtor de leite precisa de um novo prazo para se pronunciar em relação à renegociação. Outro ponto é a publicação da norma, pelo Banco Central permitindo a renegociação, que seria importante para validar a operação. Sem isso, a entidade financeira não tinha uma norma a qual seguir e poderia fazer a renegociação a seu critério. Os preços do leite continuam caindo, complicando ainda mais a situação e a renegociação é importante para dar um fôlego e condições do pecuarista se manter na atividade”, explicou Aline.

Desestímulo - Os preços do leite, em Minas Gerais, seguem em queda. Segundo os dados levantados pelo Cepea, somente em janeiro, referente à produção entregue em dezembro, a queda chegou a 2,93% no preço líquido, quando comparado com o mês anterior. No primeiro mês de 2018, o pecuarista recebeu, na média líquida, R$ 1,00 pelo litro. O valor bruto retraiu 2,57%, com o litro negociado a R$ 1,11.

Os pesquisadores do Cepea atribuem a queda dos preços do leite ao maior volume captado, já que o momento é de safra, em um período de demanda enfraquecida. A baixa demanda na ponta final da cadeia tem limitado os volumes de negociações entre indústrias e as empresas de atacado e varejos. O consumo interno segue abalado pela perda do poder de compra do brasileiro em função do período de recessão econômica. Além disso, o período de fim de ano e de férias escolares é, tradicionalmente, considerado uma época de baixa comercialização de lácteos.

Outro fator que também pressionou as cotações, de acordo com pesquisadores do Cepea, foi a alta da captação em decorrência do maior volume de chuvas. O aumento na captação em dezembro frente ao mês anterior em Minas Gerais foi de 1,39%. Segundo a representante da Faemg, a entidade está atenta aos problemas enfrentados no setor leiteiro e na busca por soluções.

“A situação do pecuarista de leite é desfavorável e vem causando desestímulo. No médio e longo prazo, a tendência é de oferta restrita do produto. Ao trabalhar com prejuízos ou com a margem de lucro muito baixa, muitos pecuaristas optam por abater matrizes e reduzir investimento. O Sistema Faemg está atento aos problemas. A comissão de leite vai se reunir para debater o assunto e buscar soluções”, disse Aline.