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Preços pagos ao produtor voltam a subir em Minas, em fevereiro

05/03/2018 09:38:42 - Por: Diário do Comércio

Brasil também verificou tendência de alta. Elevação nos preços do produto, segundo o Cepea, tem relação com a queda na oferta e ligeira melhora da demanda.

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Após vários meses de queda, os preços pagos pelo leite em Minas Gerais registraram alta em fevereiro, sendo referentes à produção entregue em janeiro. No Estado, o pecuarista recebeu, na média líquida, R$ 1,05 pelo litro, variação positiva de 4,53%. O aumento do preço é considerado fundamental para o setor produtivo, que acumula perdas em função da baixa remuneração gerada pela atividade. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

De acordo com os pesquisadores do Cepea, a elevação verificada nos preços recebidos pelos pecuaristas está atrelada à queda na oferta, em função do maior desestímulo, e a uma ligeira melhora da demanda. No Estado, o valor bruto praticado em fevereiro ficou na média de R$ 1,15 por litro, incremento de 3,47% frente aos preços praticados em janeiro.

A tendência de alta também foi verificada na média Brasil, que é composta pela avaliação dos preços líquidos praticados na Bahia, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande de Sul. Em fevereiro, o litro de leite foi negociado a R$ 1,02, aumento de 3,8% (ou de R$ 0,03 por litro) frente a janeiro.

A retomada dos valores ocorre em reação à queda na captação. De acordo com o Cepea, os laticínios e cooperativas captaram menos leite em todos os estados pesquisados. Em janeiro, frente a dezembro de 2017, houve queda de 2,17% no Índice de Captação de Leite do Cepea (ICAP-L) na média Brasil. O resultado negativo se deve aos baixos preços praticados nos últimos meses, o que vem desestimulando produtores a investir na atividade.

Conselho - O diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Rodrigo Alvim, explica que a entidade está envolvida no desenvolvimento de um projeto que poderá favorecer a formação dos preços do leite. A ideia é criar um conselho, envolvendo produtores e indústria, para definição de valores para o leite. O projeto é uma iniciativa que pode garantir remuneração aos produtores e a manutenção dos mesmos na atividade leiteira.

“É preciso chegar a um preço que seja bom para todos, tanto indústria como produtor. Que não seja um preço que cause dificuldades para a indústria, mas que seja suficiente para remunerar a atividade do pecuarista”, diz Alvim.

Após vários meses de queda, o aumento do preço do leite verificado em fevereiro, referente à produção entregue em janeiro, foi fundamental para o setor leiteiro, uma vez que os custos de produção estão em alta.

De acordo com os dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - unidade Gado de Leite (Embrapa Gado de Leite), em janeiro, o custo de produção de leite em Minas Gerais registrou alta de 0,89%, em relação a dezembro de 2017, conforme o Índice de Custos de Produção de Leite (ICPLeite/Embrapa).

Alta - A maior variação foi verificada no grupo qualidade do leite: 2,57%. Porém, a elevação no indicador foi provocada, principalmente, pelo grupo de produção e compra de volumosos (2,34%), que possui maior peso na ponderação. Praticamente todos os itens que compõem esse grupo apresentaram alta, como adubos e combustível, por exemplo.

Já a mão de obra apresentou variação positiva de 1,5%, em função do reajuste do salário mínimo. No grupo de sanidade foi registrada alta de 0,82%, seguida por sal mineral, 0,81%, e concentrado, 0,53%. O grupo de reprodução se manteve estável. Em energia e combustível houve queda de 4,56%, em função da mudança de categoria tarifária da energia elétrica.