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Uruguai: Pili e Coleme sofrem com escassez de leite

12/03/2018 09:18:10 - Por: El Observador e do MilkPoint

O seco verão está prejudicando os níveis de captação de algumas das principais bacias leiteiras do país.

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A falta de matéria-prima para processamento está afetando algumas indústrias no Uruguai, como a Pili e a Coleme, informou o líder da Federação dos Trabalhadores da Indústria do Leite (Ftil), Carlos Cachón. Segundo ele, a situação é complexa e agora também conta com um outro fator: o seco verão que está prejudicando os níveis de captação de algumas das principais bacias leiteiras do país; situação que pode ser agravada no outono se as pastagens de inverno não puderem ser implementadas a tempo.

O membro do sindicato da Pili, Teodoro Petrib, informou que a empresa convocou uma reunião bipartidária para discutir algumas questões referentes ao assunto, isso porque a empresa está processando hoje cerca de 110 mil litros de leite por dia e ainda não chegou a um acordo com a Conaprole. As duas entidades estavam negociando mas sem progresso até o momento. Para a Pili, é essencial a obtenção de um maior fluxo de leite para a amortização dos custos fixos e o cumprimento das obrigações financeiras.

"Sem dúvida, o problema pode se complicar se a negociação com o Conaprole não for alcançada para que o leite venha", admitiu o líder sindical da Pili. Na época, a Conaprole estava disposta a ajudar a Pili com algumas condições que foram rejeitadas pela a Associação de Trabalhadores e Empregados, então, a ajuda à Pili permaneceu no limbo.

A Cooperativa Láctea de Melo (Coleme) também passa por uma situação delicada já que o envio de leite para a planta não atinge 30 mil litros por dia e há atrasos de pagamentos por mais de três meses. O governo do Uruguai, o prefeito de Cerro Largo, Sergio Botana, e os deputados do departamento, estão procurando opções para manter a cooperativa que foi fundada em 1932 em pé, mas de acordo com eles, a ‘saída não é fácil’, admitiu Cachón.

Discussão de fundos e salários

A Ftil pretende discutir em breve na Mesa Láctea - que reúne todos os membros da cadeia junto com diferentes ministérios - uma política de Estado que apoiará e protegerá as cooperativas uruguaias contra a chegada do capital de indústrias estrangeiras no setor. Após o encerramento da Schreiber Foods e da Ecolat no início de 2015, a única indústria nas mãos de estrangeiros que opera no país é a Lactalis - proprietária da marca Parmalat e das plantas Indulacsa no Uruguai.

Paralelamente a esta discussão, a Ftil deve enfrentar uma negociação nas próximas semanas para a renovação do acordo salarial para os trabalhadores na cadeia industrial. Cachón considerou que o Poder Executivo "foi sensível" com os problemas do setor lácteo por meio da implementação de um Fundo do Leite de US$ 30 milhões e a declaração de emergência agropecuária devido à seca para alguns departamentos do país.

"Parece que os produtores não têm margens. É por isso que devemos evitar que a variável de ajustes seja sempre os trabalhadores", disse Cachón. O sindicalista indicou que a "prioridade e centro" do acordo que será negociado será "preservar o emprego" além das conquistas que cada sindicato pode obter com sua empresa.

Segundo informações de agentes do mercado uruguaio, o país está recuperando a produção, mas os 100 milhões de litros anuais produzidos ainda é um dos volumes mais baixos dos últimos cinco anos - fato preocupante já que várias indústrias realizaram investimentos para processar a matéria-prima. A produção de leite em 2017 foi 7% maior comparada a 2016, porém, 2016 foi um dos piores anos produtivos dos últimos seis anos. Em janeiro deste ano, a produção foi 3% maior comparado ao mesmo mês do ano anterior, mas, não se comportou como o pico de produção de 2013 e 2014.