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Pesquisadores desenvolvem vacas holandesas mais tolerantes ao calor

13/03/2018 10:24:47 - Por: Peggy Coffeen, para o Progressive Dairyman, traduzidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint

A genética pode ser uma nova ferramenta para diminuir a queda da produção de leite e reprodução no verão.

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Graças aos pesquisadores da Universidade da Flórida foi possível a criação um uma vaca Holandesa que resiste melhor ao estresse por calor. A genética pode ser uma nova ferramenta para diminuir a queda da produção de leite e reprodução no verão. O pesquisador Peter Hansen disse que dois touros que estão agora comercialmente disponíveis possuem um haplótipo para uma pelagem mais curta e lisa, conhecida como "slick" (liso, em uma tradução livre).

"Temos dados que sugerem que Holandesas de pelo liso são melhores para regular a temperatura corporal", disse Hansen. "Há também dados que mostram que a produção leiteira delas diminui menos durante o verão", completou. 

De acordo com o pesquisador, mesmo quando resfriadas com ventiladores e aspersores, as vacas na Flórida geralmente apresentam queda de 10 a 15% na produção de leite e até 20 a 25% de fertilidade durante os períodos mais quentes do ano. "Achamos que usar a mutação slick permitirá que essas vacas melhorem a temperatura corporal e experimentem menos perdas na produção de leite e melhor fertilidade no verão", disse Hansen.

Um estudo de 2014 que mediu as temperaturas corporais das vacas leiteiras alojadas em um free stall da Flórida mostrou que o pico de temperatura corporal para Holandesas normais foi de 39,28ºC, enquanto as Holandesas slick chegaram a 38,67ºC. "A temperatura corporal normal é de 38,5oC, de modo que as slicks ficaram apenas um pouco acima disso durante o período mais quente do dia", observou ele, atribuindo o efeito de regulação à habilidade das vacas de perder mais calor por meio da pele e, talvez, por suar mais. 

O estudo indicou ainda que as Holandesas com o haplótipo eram mais resistentes às quedas no rendimento do leite como resultado do  menor estresse por calor.

A história do gado slick

O membro da faculdade da Universidade da Flórida, Tom Olson, foi o primeiro a se deparar com o gado slick há vários anos durante uma visita à ilha do Caribe de St. Croix. Lá, ele notou variações na pelagem de animais da raça Senepol, uma raça de corte. Ele mediu a temperatura corporal do gado com pelos normais em comparação com aqueles com pelos curtos e concluiu que as vacas de pelos curtos mantiveram uma temperatura corporal média mais baixa durante o verão e produziram mais leite do que os animais de pelo longo do mesmo rebanho.

Então, Olson introduziu o sêmen de Senepol às fêmeas Holandesas na Universidade da Flórida em 1990. Entretanto, os produtores de leite em Porto Rico estavam incorporando o gene slick em seus rebanhos há anos. Provavelmente, o gene entrou nas Holandesas em Porto Rico quando os animais importados eram cruzados com os nativos da ilha.

Pesquisas genômicas recentes de cientistas da Nova Zelândia e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) identificaram o gene slick como uma mutação genética no receptor da prolactina. "É interessante porque esse é um dos hormônios envolvidos no desenvolvimento mamário", disse Hansen. "Parece que a prolactina também está envolvida no crescimento do pelo".

Genética slick: hoje e no futuro

Atualmente, existem dois touros na Universidade da Flórida oferecidos aos produtores de leite interessados em incorporar pelagem slick em seus programas de reprodução. Slick-Gator Blanco (551HO03574, ST Genetics) é heterozigoto, então metade de sua prole será lisa e a outra metade terá pelagem normal. A instituição também possui o Slick-Gator Lone Ranger (HOUSA000144046164) e seu sêmen é comercializado pela Legacy Genetics de Oklahoma. Como Blanco, Lone Ranger é heterozigoto para o gene slick. A universidade está trabalhando para desenvolver touros homozigotos que produzirão progênies 100% de pelos curtos.

Os animais com o haplótipo slick são fenotípicamente semelhantes aos Holandeses e atualmente estão sendo registrados na Holstein Association USA. O Lone Ranger, por exemplo, é considerado 87% Holandês registrado. "Os touros têm predominantemente genética de Holandês, mas a mutação vem do Senepol", disse Hansen. "Você não pode diferenciá-los de um puro-sangue Holandês a não ser por causa do pelo curto. Também, eles não possuem pelos encaracolados na testa".

Hansen prevê que o interesse internacional seja maior para o gado com o gene slick, particularmente em regiões que enfrentam um estresse térmico constante durante todo o ano, como a América Latina, o Sudeste Asiático e o Sudoeste da Ásia. Ele também vê potencial para os rebanhos nos Estados Unidos do Sudeste e Sudoeste e um dos principais intuitos é selecionar uma genética mais tolerante ao calor.