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Remuneração por qualidade precisa chegar ao produtor

04/04/2018 10:09:09 - Por: Folha Rural

Produção com assistência técnica e controle de qualidade sempre estiveram entre as exigências do PLC.

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Sem dúvida, um dos pontos do PLC que vigora até o ano que vem é uma tentativa mais incisiva da Seab em relação ao pagamento de qualidade ao produtor. Com as auditorias, existe uma expectativa que os laticínios façam o repasse aos seus fornecedores com mais clareza, caso contrário, não receberão por esse quesito. 

Pagar para que o produtor recebesse por qualidade sempre foi uma das bases do programa, mas o fato é que isso sempre deixou a desejar. "Nós estabelecemos um padrão de qualidade, mas por outro lado o produtor não avançou muito no direito que teria sobre isso. É preciso trabalhar melhor essa relação com a indústria. Ele tem direito a um preço um pouco melhor, mas nem sempre isso acontece", explica o médico veterinário da Emater, Paulo Hiroki, que no passado fez parte da comissão estadual de controle de qualidade do programa. 

Aliás, se a pecuária leiteira paranaense evoluiu muito nesse sentido graças ao programa. "Do ponto de vista técnico, ele foi muito bem embasado, com padrão de qualidade exigido que até era superior ao preconizado na época. Primava-se muito por um produto de melhor qualidade. Hoje continua dessa forma, não nos moldes daquela época." 

Hiroki cita que o PLC sempre se atentou a todas as pontas da cadeia: lado social, produção com assistência técnica, controle de qualidade e um pagamento melhor ao produtor por tudo isso. "Se tenho uma relação comercial sem intermediário, posso pagar melhor por isso. Nem sempre o produtor é beneficiado, essa parte falhou, não conseguiu colocar isso (em prática). Foi um alcance que o programa nunca teve." 

O produtor Nelson Pereira do Nascimento tem 52 anos e trabalha com leite há mais de 20 anos, no município de Leópolis, numa área de oito alqueires. Atualmente, trabalha com 24 animais com uma produção diária 220 a 250 litros por dia, média de 15 litros por animal. Ele reclama do preço atual que consegue com o produto. "Mês passado recebi R$ 1,05 pelo litro." Em relação ao PLC, ele se mostra um pouco cético quando se trata do pagamento por qualidade. "Já entreguei em diversos laticínios e o que recebi a mais por qualidade foi muito pouco. Hoje mudou muito, todos precisam atuar dessa forma. Agora o laticínio que entrego retornou para o programa, vamos ver como irá funcionar." 

Ele relembra que a última vez que recebeu valores mais significativos foi no primeiro semestre do ano passado. "Em 2017, acho que estava recebendo R$ 1,20 o litro. Mas vou falar a verdade, hoje um preço bacana teria de ser R$ 1,50. A R$ 1,05, desanima a gente." (V.L.)