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Indicadores indicam movimento de especialização da cadeia do leite

26/04/2018 10:46:16 - Por: CILeite/Embrapa

Após dois anos de quedas consecutivas, a captação brasileira de leite voltou a crescer em 2017, totalizando cerca de 24 bilhões de litros.

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Nos últimos 30 dias, houve a divulgação de três importantes estatísticas: 1) pesquisa trimestral do IBGE, que traz a produção brasileira de leite sob inspeção; 2) ranking das TOP 100 fazendas do Brasil, publicado pelo Agripoint; e 3) ranking dos maiores laticínios, elaborado pela Leite Brasil. Combinando estas três pesquisas é possível avaliar algumas mudanças em curso.

Após dois anos de quedas consecutivas, a captação brasileira de leite voltou a crescer em 2017. O aumento foi 4,03% em relação a 2016, totalizando cerca de 24 bilhões de litros. O ranking dos maiores laticínios do País mostrou um aumento de 5,6% na captação das empresas. Da mesma forma, o ranking dos TOP 100 produtores de leite, indicou um crescimento de 10% na produção. Isso aponta para um movimento de consolidação e especialização nesta cadeia produtiva, tanto no âmbito do produtor quanto no âmbito da indústria. Portanto, produtores já grandes (média diária de 17,9 mil litros) continuam buscando ampliação da escala de produção e das suas margens. Essa tendência de aumentar o volume de leite por produtor também pode ser observada nos laticínios, já que a média diária por produtor aumentou 7% entre 2016 e 2017. No caso dos laticínios, verificou-se também um crescimento na captação das maiores empresas em relação a média nacional.

No cenário internacional, os preços de lácteos na plataforma Global Dairy Trade apresentaram nova valorização no leilão do dia 17 de abril. O leite em pó integral fechou cotado a US$3.311/tonelada. Uma parte dessa valorização está relacionada ao recuo da safra 2017/2018 da Nova Zelândia e também à aproximação do período de entressafra naquele país. Além disso, a seca na Argentina, a pior dos últimos 50 anos, já impactou os preços internacionais de milho e soja causando incremento nos custos de produção de leite ao redor do mundo.

No Brasil, pela aproximação da entressafra, os preços do leite ao produtor seguem em recuperação, mas em valores reais continuam abaixo do patamar observado no primeiro trimestre de 2017. Os pecuaristas também estão percebendo aumento no custo do concentrado, motivado pela elevação dos preços de milho e soja. Em março, o Índice de Custo de Produção (ICPLeite/Embrapa) registrou aumento de 5,3%. Nos últimos 3 anos a alta de custo foi de 21%, enquanto o preço real do leite aos produtores recuou 0,7% (Figura 1).
Figura 1 – Evolução dos custos de produção de leite em MG, medidos pelo ICPLeite/Embrapa. Base: Abril/2006=100. Fonte: Embrapa Gado de Leite.

No atacado, o leite UHT segue com pequena valorização, subindo 1,5% nos últimos 15 dias para R$2,40/litro. O aumento do preço do leite ao produtor depende da evolução dos preços na indústria, até porque as margens dos laticínios estão muito reduzidas, tanto no mercado de leite UHT quanto no de mussarela. O fraco consumo associado a forte competição entre as empresas e seu baixo poder de negociação juntos aos grandes supermercados tem dificultado os repasses de preços e melhorias na rentabilidade. As margens do leite pasteurizado estão melhores, mas é um mercado mais local. De todo modo, a expectativa para a economia em 2018 é melhor, considerando as previsões de PIB, inflação, taxa de juros, emprego e renda. Espera-se que o consumo siga em recuperação proporcionando melhores margens para a indústria e para os produtores, os dois segmentos mais penalizados nos momentos de queda nos preços.