Home » Cadeia do Leite » Os processados, hoje, são o demônio da indústria de alimentos, diz presidente da Unilever Brasil

Os processados, hoje, são o demônio da indústria de alimentos, diz presidente da Unilever Brasil

22/05/2018 10:55:57 - Por: Newtrade

Enquanto no passado essa indústria costumava lidar com uma ou poucas demandas de cada vez, agora ela tem de enfrentar várias delas ao mesmo tempo.

Responsive image
“A palavra processado, hoje, é o demônio da indústria de alimentos”. É assim que Fernando Fernandez resume a revolução pela qual passa o setor alimentício. E desse demônio ele entende bem. Presidente da Unilever Brasil, Fernandez está há 30 anos na empresa, uma das gigantes do ramo, dona de marcas como Kibon, Hellmann’s e Maizena. Enquanto no passado essa indústria costumava lidar com uma ou poucas demandas de cada vez, agora ela tem de enfrentar várias delas ao mesmo tempo. Há aqueles que querem tudo o mais natural possível, os que fazem questão dos orgânicos e aqueles que querem fugir de açúcar e sal, para não falar dos vegetarianos e veganos. “A indústria alimentícia passa por um movimento sísmico”, diz. “Ela está muito diferente de dez anos atrás. Há o risco de grandes marcas de alimentação estarem com os dias contados”.

No meio desse furacão, a principal resposta da Unilever (e não só dela) tem sido apostar na sustentabilidade: alimentos mais saudáveis e de menor impacto ambiental. “O consumidor irá premiar as marcas transparentes, autênticas e com propósitos muito claros”, afirma Fernandez.

Os números da multinacional fazem coro ao argumento. Em 2017, as marcas com propósito da Unilever, como a Ben&Jerry’s, aumentaram suas vendas 46% a mais do que o restante do negócio e entregaram 70% do crescimento da companhia. Não é à toa que o setor tem se movimentado para fazer aquisições de empresas menores e craques em conquistar fãs. Em 2017, a própria Unilever comprou a produtora de alimentos naturais e orgânicos Mãe Terra. A Ambev adquiriu a fabricante dos sucos Do Bem, em 2016, e a Coca-Cola fez o mesmo com a Verde Campo, pioneira no Brasil em produtos sem lactose.

Plano de sustentabilidade

Na sexta-feira (18/05), a Unilever apresentou, em São Paulo, um balanço do seu plano de sustentabilidade. Em 2010, a empresa se lançou o desafio de reduzir pela metade o impacto ambiental de seus produtos, além de se tornar positiva em termos de carbono em suas operações até 2030, entre outros. Objetivos para lá de ambiciosos se considerarmos o tamanho da multinacional anglo-holandesa, forte também nos setores de beleza e limpeza. A Unilever opera hoje em mais de 190 países, alcançando 2,5 bilhões de consumidores por dia com 400 marcas. São 169 mil funcionários no mundo e um faturamento de 53,7 bilhões de euros (referente a 2017).

Até agora, 80% das metas estabelecidas para tornar a Unilever mais sustentável foram cumpridas, segundo a empresa. De 2008 (ano-base do plano) para a 2017, a companhia conseguiu:

• redução de 98% dos resíduos enviados para aterros sanitários
• diminuição de 47% na emissão de gás carbônico pelo consumo de energia em fábricas
• queda de 39% no consumo de água por tonelada de produto
• redução de 29% nos resíduos gerados pelo consumidor no descarte de seus produtos

No Brasil, a empresa diz que todas as suas fábricas, centros de distribuição e escritórios não produzem resíduos para serem enviados a aterros. Eles são reciclados ou reaproveitados. O país também se destaca por ter duas das 12 fábricas carbono zero da Unilever no mundo, as unidades de Goiânia e Pouso Alegre. Elas foram as primeiras das Américas ao alcançar esse objetivo.

As ações

Na busca para atingir as metas impostas pelo plano de sustentabilidade, a multinacional tomou diversas providências. No campo da nutrição, reformulou diversas categorias de bebidas e comidas. Saíram de cena quantidades significativas de sal, gordura saturada, calorias e açúcar, de acordo com a companhia. Em 70% dos mercados onde vende sorvetes, por exemplo, a Unilever já conta hoje com mini versões. Em 2017, no Brasil, ela lançou o Mini Cornetto. Já na Índia chegou ao mercado o Mini Magnum. Ainda no Brasil, no ano passado, a maionese Hellmann’s foi repaginada. Atualmente, ela é feita com ovos de galinhas caipiras, criadas livres de gaiolas. Já o ketchup ganhou uma variedade adoçada naturalmente com mel.

Outra frente importante para cumprir os objetivos da empresa é investir em novas soluções plásticas, já que a companhia anunciou o compromisso de ter 100% de suas embalagens feitas de plástico reutilizável, reciclável ou compostável até 2025, além de reduzir em um terço o peso delas até 2020. A embalagem nova do xampu Seda é um passo nessa direção: 33% dela é de plástico reciclável. O caminho, no entanto, ainda é longo, mas ao menos já começou a ser trilhado.