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Projeto no Rio Doce receberá incentivo

24/05/2017 10:08:05 - Por: Diário do Comércio

Fundação Banco do Brasil aplicará R$ 178 mil em sistema desenvolvido por 33 famílias em Periquito.

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Produzir leite de alta qualidade e agroecológico é o objetivo da Associação de Cooperação Agrícola do Assentamento Liberdade (Acoal), localizada em Periquito, na região do Rio Doce. A associação, composta por 33 famílias, vem trabalhando para a implantação do sistema Pastoreio Racional Voisin (PRV), que visa ao manejo racional da produção. A princípio, serão adaptadas quatro unidades produtivas para avaliar o processo a serem utilizadas para demonstração e incentivo para que outros produtores invistam no sistema.

O projeto conta com recursos da ordem de R$ 178 mil da Fundação Banco do Brasil. De acordo com secretária geral da Acoal, Vânia Maria de Oliveira, o objetivo do projeto é produzir alimentos de forma sustentável e sem a utilização de químicos. Para isso, todo o processo tradicional de produção de leite deve ser adaptado.

“As discussões sobre o atual modelo de produção são antigas e nós queremos implantar, em Periquito, um modelo que não destrua o meio ambiente e contribua para a conservação do nosso planeta. Além disso, os produtos agroecológicos vem sendo cada vez mais demandados e nossa expectativa é gerar maior renda no campo e estimular a permanência dos jovens nas atividades rurais”, explicou Vânia.

O Pastoreio Racional Voisin (PRV) é um sistema racional de manejo de pastagem que consiste na divisão da área de pasto em várias parcelas, onde são fornecidos água e sal mineral. Além disso, os pastos são manejados de tal forma que aumentam sua produtividade. O sistema foi desenvolvido pelo pesquisador francês André Voisin. O trato dos animais também é diferenciado e algumas doenças e pragas são controladas com a homeopatia.

“Queremos implantar este princípio e produzir de forma saudável. No País existem várias experiências, principalmente na região Sul. Há dois anos, fomos conhecer o experimento de pastagem e de piquetes em Santa Catarina e gostamos da ideia. Ficamos sabendo que a Fundação Banco do Brasil estava com edital para este estilo de projeto, resolvemos desenvolver o nosso e participar. Fomos contemplados e agora vamos colocar as ações em prática”.

Atualmente os investimentos estão sendo feitos na construção dos piquetes que irão abrigar os bovinos. Os produtores também estão participando de cursos e seminários que abordam temas como o manejo dos pastos, dos bovinos, o uso da homeopatia, entre outros assuntos.

Uma das principais vantagens do sistema, segundo Vânia, é que os animais são alimentados somente com pastagem e o uso de ração no cocho não é aplicado. Desta forma, os custos com a produção a pasto e a substituição de medicamentos tradicionais pela homeopatia são menores e a tendência é que o leite agroecológico chegue ao mercado com alta qualidade e com preços mais acessíveis aos consumidores de produtos orgânicos.

“Estamos muito otimistas com o projeto. A demanda pelos produtos agroecológicos é grande e acreditamos que, pelos custos reduzidos, nossa produção chegará ao mercado competitivo, o que vai despertar o interesse maior da população, que terá um alimento saudável, produzido sem químicos e a preços acessíveis”.

Laticínio -  Ainda segundo Vânia, a expectativa é processar o leite agroecológico e agregar valor, com a produção de queijos e iogurtes. A Acoal está trabalhando junto à Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) para que seja construído na região um laticínio. A princípio, a agroindústria seria abastecida pela produção regional, que varia de 11 mil a 15 mil litros de leite ao dia.

“Nossa ideia é montar as quatro unidades demonstrativas e estimular a participação das demais famílias do Assentamento Liberdade. Pretendemos estender o projeto para as famílias assentadas em Tumiritinga e Jampruca (ambas na região do Rio Doce). Esperamos que, no futuro, a produção agroecológica de leite seja suficiente para abastecer o laticínio. Assim, vamos agregar valor, gerar empregos e atrair os jovens para o campo”, explicou Vânia.