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Preço do leite pago ao produtor está melhor em 2017, avalia diretor da SNA

07/06/2017 08:42:33 - Por: SNA

Preço líquido do leite, que desconsidera frete e impostos, subiu 1,5 centavo por litro (+1,2%) de abril para maio, chegando a R$ 1,2735 por litro na média Brasil.

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Especialistas em pecuária de leite previam estabilidade nos preços do leite recebidos pelo produtor rural, em 2017, mas o cenário atual vem se apresentando melhor que o esperado. Segundo cálculos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, vinculada à Universidade de São Paulo (Esalq/USP), os valores tiveram alta pelo quarto mês consecutivo.

O preço líquido, que desconsidera frete e impostos, subiu 1,5 centavo por litro (+1,2%) de abril para maio, chegando a R$ 1,2735 por litro na “média Brasil”, que incluiu a produção nos Estados de Bahia, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Esse aumento está atrelado à entressafra da produção leiteira, indica o Cepea.

“Realmente, esses dados estão sendo confirmados na prática. O que observamos, em todos os encontros com produtores e dirigentes do setor da pecuária de leite, é que existe maior entusiasmo com a atividade de produção, o que favorece as negociações relativas às aquisições de matrizes leiteiras, não só diretamente entre os produtores, mas valorizando os leilões”, analisa Alberto Werneck de Figueiredo, diretor técnico da Sociedade Nacional de Agricultura.

Representante da SNA na Câmara Setorial de Leite e Derivados, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), e secretário de Agricultura do município de Resende (RJ), o executivo destaca que “há projetos de investimentos em novas propriedades produtoras, incluindo a aquisição de terras com esse fim específico”.

"O que nos preocupa, agora, é que a aparente condição de um resultado financeiro melhor provoque um relaxamento por parte dos produtores, em relação à busca por melhores índices de produtividade”, alerta.

Em sua opinião, “isso pode fazer com que, no momento em que as curvas de valores de insumos e do produto final voltarem a se alinhar, nós encontremos produtores com produtividades reduzidas, ocasionando novas crises com a desistência de outros pecuaristas de leite”.

Expectativas

Publicada no final de maio, a “Carta Leite” da Scot Consultoria, intitulada “Margem da atividade leiteira está melhor este ano”, destaca que a expectativa do setor é de recuperação das margens do produtor de leite, em 2017, impulsionada por custos de produção mais baixos, em especial àqueles relacionados aos alimentos concentrados, que são utilizados na ração animal.

“As altas nos custos de produção resultaram em uma baixa rentabilidade da pecuária de leite em 2016. A forte alta do dólar aumentou a competitividade do milho e da soja brasileiros no mercado internacional, favorecendo as exportações. Especialmente no caso do milho, os volumes recordes embarcados enxugaram os estoques internos e as cotações subiram, consideravelmente, no primeiro semestre”, aponta o documento.

Segundo a Scot Consultoria, de janeiro a maio de 2016, os preços do milho e do farelo de soja, em São Paulo, ficaram 24,7% e 10,5% maiores, respectivamente. Para uma comparação, o preço do leite ao produtor subiu 10,5% no mesmo período, naquele Estado.

Em 2017, o mercado está mais favorável à pecuária leiteira, principalmente porque a safra recorde de grãos pressionou as cotações para baixo, em particular as do milho. “Em valores já corrigidos pela inflação (IGP-DI), a cotação desse grão caiu 22,3%, em relação ao início do ano passado. No caso do farelo de soja, a queda foi de 10,6% desde janeiro. A cotação está 12,3% menor na comparação com maio de 2016.”

Para o preço pago ao produtor de leite, o movimento foi inverso: desde janeiro de 2017, o aumento foi de 8,8%. “Em um ano, a valorização é de 10,7%.”

“Essa retração na cotação dos alimentos, com consequente redução dos custos de produção, e o preço maior do leite ao produtor resultaram em recuperação da margem da atividade”, aponta a Carta Leite, assinada pelos zootecnistas Juliana Pila e Rafael Ribeiro, ambos analistas da Scot Consultoria.