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Valorização do leite UHT perde força, mas preços no campo podem seguir em alta em maio

21/05/2018 10:03:52 - Por: Natália Grigol, em boletim do leite Cepea

Para maio, o avanço da entressafra, a consequente menor produção no campo e a elevada competição entre as empresas devem sustentar a alta na cotação do leite.

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De janeiro a abril, o preço do leite ao produtor na “média Brasil” líquida (que considera valores sem frete e impostos de BA, GO, MG, SP, PR, SC e RS) subiu 14,6%. No período correspondente à produção leiteira (de dezembro/17 a março/18), a captação das empresas amostradas pelo Cepea caiu 10,1%, influenciada pelo desestímulo e pela descapitalização de produtores frente às baixas cotações recebidas no ano passado.

Para maio, o avanço da entressafra, a consequente menor produção no campo e a elevada competição entre as empresas devem sustentar a alta na cotação do leite ao produtor. Esse cenário deve ser verificado mesmo diante do menor ritmo de valorização dos derivados lácteos. Caso esse cenário se confirme, seria a quarta alta consecutiva no campo. Em abril, a média ao produtor foi de R$ 1,1574/litro.

Quanto aos derivados lácteos, a menor oferta e a ligeira recuperação da demanda neste primeiro quadrimestre elevaram os preços. Na negociação entre indústrias e atacado no estado de São Paulo, o leite UHT (principal lácteo consumido do País) se valorizou 22,8% nos quatro primeiros meses de 2018, chegando a R$ 2,40/litro em abril (valores deflacionados pelo IPCA de abril/18). No entanto, a partir da segunda quinzena de abril, colaboradores do Cepea relataram necessidade de realizar promoções frente às dificuldades dos consumidores em absorver novas altas dos derivados. Na média parcial de maio (considerando-se a primeira quinzena), o derivado foi comercializado a R$ 2,37/l.

Tendo em vista as elevadas correlação, cointegração e causalidade entre os preços do UHT e do leite ao produtor – o que significa que os movimentos de mercado observados no primeiro tendem a se refletir no segundo –, a possibilidade de o consumidor já ter chegado ao limite de absorver novas valorizações deixa dúvidas em relação à continuidade das altas no campo. Pesquisas do Cepea ainda em andamento indicam tendência de redução na captação em abril, de modo que, no processo de formação de preços de maio, a pressão da oferta limitada pode ser maior do que a influência do enfraquecimento da demanda.

Já para os próximos meses, no entanto, as perspectivas não são animadoras. Na opinião de agentes do setor, o momento é delicado e a demanda ainda é o grande gargalo da cadeia. Mesmo com a melhora dos indicadores econômicos, a capacidade de compra das famílias brasileiras ainda está fragilizada, o que dificulta considerar um cenário sustentável de valorização dos derivados e do leite ao produtor. No caso da indústria, o encarecimento da matéria-prima e a dificuldade do repasse ao consumidor final devem estreitar ainda mais as margens.

Para colaboradores do Cepea, se a demanda não voltar a absorver altas na ponta final da cadeia, é possível que os preços ao produtor aumentem em menor intensidade ou até mesmo que se estabilizem nos próximos meses. Entretanto, é difícil prever um cenário de quedas ao produtor entre junho e julho, sobretudo no atual momento de elevação dos custos de produção frente à valorização dos grãos. Por outro lado, a safra do Sul, que deve se iniciar em meados de junho, pode mitigar o cenário de baixa oferta no mercado. No entanto, é importante ressaltar que foi justamente no Sul do País onde a captação mais recuou desde o final do ano passado – e onde os preços ao produtor estiveram abaixo de R$ 1,00/l.