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Frisia projeta crescimento de 5% neste ano

29/06/2018 09:45:06 - Por: DCI

Com atuação em diversos segmentos, a antiga dona dos lácteos da Batavo espera avançar nas áreas de rações e sementes, além de expandir sua feira de novas tecnologias para o produtor.

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Com o apoio forte dos negócios de rações e sementes, a cooperativa Frisia espera crescer 5% neste ano, apesar do cenário político e econômico bastante desafiador. O faturamento total da cooperativa chegou a R$ 2,41 bilhões em 2017 baseado na atuação em diversos segmentos como suinocultura, moinho de trigo, leite e lácteos, entre outros. A Frisia já deteve a marca Batavo, que hoje se restringe aos negócios de sementes e rações. 

O superintendente, Emerson Moura, conta que a valorização do dólar vem pressionando os negócios, uma vez que parte dos insumos é importada. “Além disso, a greve dos caminhoneiros impactou muito as nossas operações”, esclarece o executivo.

Segundo ele, durante os dez dias de paralisação dos caminhoneiros, a Frisia foi obrigada a descartar 10 milhões de litros de leite. “Tivemos cerca de R$ 13 milhões de prejuízo só com o produto”, relata. “E os ganhos provenientes da reação dos preços da soja também foram anulados pelos efeitos da greve.”

Diante deste cenário, a cooperativa precisou rever suas projeções. “Temos crescido a uma média de 10% ao ano, mas em 2018 devemos ter um crescimento menor”, estima. Moura acrescenta ainda que os segmentos de negócios dependentes do câmbio estão sofrendo muito. “A parcela dos insumos importada já sente os impactos da valorização do dólar”, complementa.

Para completar o cenário desafiador, o segmento de suínos da cooperativa tem enfrentado os diversos problemas do mercado internacional. O primeiro deles é o embargo da Rússia à proteína brasileira. Adicionalmente, os desdobramentos da operação Carne Fraca e os embargos da União Europeia e da China à carne de frango do País vêm colocando pressão sobre o negócio de suínos. “Com estas barreiras, aves são ofertadas com preços mais baixos no mercado brasileiro, acirrando ainda mais a competição com suínos no Brasil.”

Por outro lado, o segmento de rações da cooperativa tem obtido um bom desempenho. “Este mercado, para nós, vem melhorando a cada dia”, relata Moura. Sob a marca Batavo, a Frisia trabalha tanto com rações quanto com sementes.

Tecnologias

Com o aumento da busca por melhorias no sistema de gestão da propriedade, a Frisia idealizou, há dois anos, a Digital Agro, feira de tecnologia com o intuito de trazer para perto do produtor tecnologias voltadas ao agronegócio. “Está acontecendo uma grande mudança cultural no setor e o produtor terá que saber como utilizar essas novas tecnologias”, diz Moura.

Ele afirma que há diversos lançamentos que estão mudando a forma como o produtor organiza a sua propriedade. “Desde sensoriamento remoto para medir a temperatura na granja até a utilização de drones”, destaca.

Moura diz que a Frisia já tem um software de gestão da propriedade sem custos para o cooperado, mas existem outras inúmeras tecnologias que podem ser usadas no setor.
A edição da Digital Agro 2018 contou com o dobro de expositores em relação ao ano passado, bem como de espaço físico. “Nosso intuito com a feira não é ganhar dinheiro, mas trazer para perto do produtor novas tecnologias e apoiar startups voltadas ao agro”, explica Moura.

Segundo ele, a oferta nesta área é enorme e a preços diversos. “Hoje, há linhas de crédito disponíveis dentro da cooperativa e em bancos comerciais para aquisição dessas tecnologias. O mais importante é analisar o payback (retorno do investimento) para saber qual escolha fazer. Mas o uso de tecnologia no campo é um caminho sem volta.”