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Valor de referência para o leite registra nova queda no RS

24/08/2017 08:27:35 - Por: Jornal do Comércio

Redução reproduz momento com margens mínimas para a indústria.

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O valor de referência do leite projetado para o mês de agosto no Rio Grande do Sul é de R$ 0,9006, redução de 4,22% em relação ao consolidado de julho, que fechou em R$ 0,9403. Os dados foram anunciados pelo Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite (Conseleite) ontem, na sede da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), em Porto Alegre. Nos últimos três meses, o valor de referência do leite caiu 8,92% no Estado. Segundo o professor Eduardo Belisário Finamore, da Universidade de Passo Fundo (UPF) além da baixa de 3,63% no leite UHT, a queda se acentuou devido à redução de 7,7% no valor de referência do leite em pó.

O presidente do Conseleite, Alexandre Guerra, alerta que a redução dos números do Conseleite reproduz um momento de mercado, com margens mínimas no setor industrial. "Batemos no fundo do poço. Agora é preciso dar início a uma retomada", completou. Segundo Guerra, que também é presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios (Sindilat), o Rio Grande do Sul vive seu pico de produção, mas está com estoques baixos tanto na indústria quanto no varejo. As vendas, sugere ele, estão condicionadas às ofertas das gôndolas em função do baixo poder aquisitivo do consumidor em tempos de crise. "Precisamos continuar a produzir e sermos cada vez mais competitivos porque a tendência é melhorar. Esse cenário irá se recuperar na sequência", frisou, pontuando a importância de pleitear apoio ao governo para dar um freio às importações de cargas do Uruguai e de estímulo às compras governamentais.

Guerra explica que é preciso que se tenha claro que os dados apresentados pelo colegiado retratam apenas uma referência. "No campo, o produtor recebe mais do que isso porque a produção é remunerada por bonificações de qualidade e quantidade", salientou. Presente na reunião, o assessor da política agrícola da Fetag, Márcio Langer, pontuou que o resultado é um dos piores já verificados pelo Conseleite e fomenta um cenário de desestímulo à produção. Ele teme que os valores caiam ainda mais. "A situação é das mais emblemáticas de todos os tempos", frisou.
 
Setor espera solução do governo do Estado para importação de lácteos

Lideranças do setor lácteo gaúcho estão confiantes de que uma solução para pôr fim ao incentivo dado pelo governo do Rio Grande do Sul à importação de leite do Mercosul deva sair ainda esta semana. Reunidos ontem com o governador em exercício, José Paulo Cairoli, representantes de entidades receberam a sinalização de que o pedido de revogação dos decretos que concedem diferimento de ICMS para as operações de importação será avaliado ainda esta semana. A expectativa é de um anúncio positivo no sábado, quando começa a 40ª Expointer, e o ministro Blairo Maggi estará no Parque Assis Brasil, em Esteio.

Segundo o presidente do Sindilat, Alexandre Guerra, o setor pediu que o Decreto nº 53184/2016, que expira no final de agosto, não seja prorrogado, e que o de número 53059/2016 seja terminantemente revogado. A ideia é ajudar o setor produtivo do leite a retomar seu crescimento, uma vez que produtores e indústrias operam com margens mínimas em função da concorrência desleal com os importados.

A reunião ainda contou com a presença dos secretários de Estado Ernani Polo, Tarcísio Minetto e Fábio Branco.

Governador e ministro discutem controle para produto uruguaio

Em reunião conduzida pelo deputado federal Alceu Moreira (PMDB-RS), ontem, o governador José Ivo Sartori e o ministro da Agricultura Blairo Maggi, discutiram regras de controle para a entrada desregrada de leite em pó proveniente do Uruguai. "A importação em grandes volumes é recorrente e tem causado temor aos produtores brasileiros", frisou Moreira. Desde o começo do ano, mais de 40 mil toneladas de leite em pó entraram no Brasil vindas do país vizinho.