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Produtores de leite discutem medidas para reverter quadro de preços

18/09/2017 11:00:48 - Por: Diário do Comércio

Custos superam a remuneração.

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Em plena entressafra, os preços do leite estão recuando e são insuficientes para cobrir os custos de produção e manter a rentabilidade do setor. Para discutir a situação e adotar medidas que contribuam para recuperar a renda do setor, representantes dos produtores se reuniram, ontem, com a Comissão Técnica de Pecuária de Leite da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg). Entre as medidas necessárias, a principal é conscientizar o produtor em relação à importância de gerir a atividade com base no mercado, buscando equilibrar a oferta com a demanda. Além disso, a criação de barreiras para a importação desenfreada de leite é considerada fundamental.

Segundo o analista de agronegócio da Faemg, Wallisson Lara Fonseca, durante a reunião, foram elencadas ações importantes para que a rentabilidade do produto seja mantida. Além da necessidade de uma gestão eficiente das unidades produtoras, é importante produzir com foco também no mercado.

“É importante ressaltar que o produtor precisa pensar além da porteira também, e buscar manter a produção de leite equilibrada com a demanda. É uma medida que pode trazer resultados positivos para a cotação, mas outras consequências também, como o aumento do desemprego e queda na renda”, explicou.

Para o presidente da Comissão Técnica de Pecuária de Leite da Faemg, Eduardo de Carvalho Pena, outro desafio enfrentado pelo setor são as constantes importações de leite, principalmente vindas do Uruguai. A compra do produto no mercado externo impede a retomada dos preços e a recuperação da renda. O estabelecimento de cotas, como já adotada em relação à importação de leite da Argentina, é um das reivindicações do setor leiteiro de Minas Gerais e do País.

“Mesmo sabendo que o volume de leite importado do Mercosul tem caído nos últimos meses, a gente precisa ficar atento à essa questão. Porque quando a oferta do leite cair e o preço começar a reagir, se o governo não barrar de forma incisiva as importações não irá resolver o problema do produtor. Você precisa ter reação do preço e equilíbrio na importação, o que é fundamental para a manutenção do pecuarista na atividade leiteira”, disse Pena.

Laticínios - Outro ponto levantado durante a reunião e que será encaminhado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) é o pedido de regulamentação da Lei 12.669, que obriga as empresas de laticínios a informar ao produtor de leite o valor a ser pago pelo leite até o 25º dia do mês anterior ao do fornecimento.

“O pecuarista faz de tudo para ser muito eficiente, mas não tem condições de trabalhar sem previsão de receita. Então toda mágica feita para reduzir custo fica a mercê da indústria”, explicou Wallisson Lara.

Espírito Santo - O Mapa também será questionado pelas importações significativas de leite que chegam ao Espírito Santo. De acordo com Lara, de janeiro a julho, 35% das 73,53 mil toneladas de leite importada tiveram como destino o estado. Porém, a capacidade de consumo no estado é pequena.

“O Espírito Santo não tem essa demanda toda. É preciso fazer a rastreabilidade e saber quem está importando e qual o destino”, disse Lara.

De acordo com o diretor do Sistema Faemg e presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA, Rodrigo Alvim, algumas ações estão sendo tomadas em nível nacional. Após reunião na Câmara dos Deputados, em Brasília, foi encaminhado ofício aos ministérios responsáveis solicitando a adoção de medidas contra a importação de leite do Uruguai.

Programa - Outra medida seria o governo comprar, através do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), 50 mil toneladas de leite em pó e 400 milhões de litros de leite UHT. “O governo já avisou que não tem recursos para fazer a aquisição. O valor necessário seria de R$ 700 milhões, mas só teria disponível R$ 16 milhões. Está fora de cogitação”.