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Embaixador da ONU defende projeto de lei de SC para queijos artesanais

11/12/2017 11:46:01 - Por: Diário Catarinense

Em entrevista exclusiva ao Diário Catarinense, ele comenta como é a legislação na União Europeia e a sua visão sobre a importância da preservação desses queijos.

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O italiano Carlo Petrini, presidente global do movimento Slow Food* e embaixador especial da ONU contra a fome é um dos maiores defensores dos queijos de leite cru no mundo. Em entrevista exclusiva ao Diário Catarinense, ele comenta como é a legislação na União Europeia e a sua visão sobre a importância da preservação desses queijos.

Quais são as regras para a produção de queijo artesanal de leite cru na União Europeia? O que ainda é proibido? Há polêmica lá como há aqui quanto à comercialização desse tipo de queijo?

A União Européia desenvolveu uma legislação muito aberta que permite a utilização de leite não pasteurizado, mas nem todas as leis reconheceram adequadamente as diretrizes. Se analisarmos o estado das DOP (denominações de origem protegidas, indicação geográæca deænida em lei que protege determinados alimentos regionais e a forma tradicional como são feitos) europeias, percebemos que apenas 8% dos protocolos de produção realmente requerem pasteurização. 39% das DOP obrigam os produtores a usar leite cru, enquanto há 53% das DOP que não contém indicações especíæcas sobre o leite cru ou pasteurizado, para que os produtores possam fazer o que quiserem. Felizmente, na Europa, a produção de queijo com leite cru ainda é generalizada entre artesãos e caseiros. Há, naturalmente, pessoas que demonizam o leite cru como sendo não saudável, mas, por sorte, temos uma enorme rede de produtores e consumidores conscientes que consideram os queijos de leite cru uma herança a ser preservada.

Por que é importante que esse tipo de produto seja preservado no Brasil?

Os queijos de leite cru são alimentos extremamente importantes para milhares de famílias de produtores no Brasil e em todo o mundo. Eles sintetizam a relação entre as pessoas, os animais, o ambiente e a bagagem de saberes e técnicas transmitidas de geração em geração em cada território. São também a principal fonte de renda da maioria destes produtores, além de um produto identitário da cultura e central no cotidiano e nas celebrações de várias comunidades. O Brasil, com a diversidade de inçuências, territórios, climas e técnicas particulares, possui uma diversidade imensa de queijos artesanais ainda pouco conhecida. São produtos excelentes, com características próprias e sabores únicos. Preservar e defender o queijo artesanal de leite cru é garantir a dignidade e a renda dessas famílias, a permanência e a produção sustentável do homem no campo e o nosso direito de escolher, de comer e de compartilhar alimentos especiais.

Qual a expectativa do Slow Food sobre o projeto de lei em defesa dos queijos de leite cru de Santa Catarina?

A expectativa de que esse projeto consiga o máximo de apoio dos deputados para ser aprovado. A população tem que se envolver para não permitir que a indústria faça lobby negativo e para pressionar os seus representantes. Cabe aos interessados participarem. E quando se fala de alimento bom, limpo e justo, os interessados são todas as pessoas.