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Apesar das incertezas, 2018 deverá ser melhor para os produtores de leite

25/01/2018 10:11:28 - Por: CILeite, Embrapa.

Como previsto no mês anterior, o preço do leite ao produtor em dezembro de 2017 ficou praticamente estável em relação a outubro e novembro, na média nacional.

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Como previsto no mês anterior, o preço do leite ao produtor em dezembro de 2017 ficou praticamente estável em relação a outubro e novembro, na média nacional. Entretanto, em relação a dezembro de 2016, o preço real foi 11,5% inferior. Nesse cenário, a situação de aperto na rentabilidade dos produtores permanece. A relação de troca (quantidade de leite necessária para comprar um saco de ração) piorou em 2017, fechando o ano com aumento de 5,4% em relação a 2016. Apesar da redução no preço da ração, a queda mais expressiva do preço do leite recebido pelo produtor desfavoreceu o segmento da produção.

Os laticínios continuam com dificuldades para reajustar os preços para os varejistas, embora a demanda neste último segmento tenha apresentado pequena reação em virtude da queda de preços dos produtos e de sinais de recuperação da atividade econômica do País. Depois de uma tentativa de aumento de preços pela indústria em novembro, que elevou a cotação do leite UHT no atacado para R$2,07 (média nacional), em dezembro os preços voltaram a recuar fortemente, fechando a R$1,93 por litro.

No varejo, o preço do leite UHT fechou o ano 8,4% mais baixo em relação a dezembro do ano anterior, segundo os dados do IBGE. No mesmo período alguns derivados registraram quedas ainda maiores, como o leite condensado (- 15,5%) e o leite em pó (- 9,6%). A exceção principal ficou por conta da manteiga que valorizou 7,7% no período. Com relação a oferta, apesar do crescimento acumulado de 4,3% da produção sob inspeção (IBGE/Pesquisa Trimestral do Leite) até o terceiro trimestre de 2017, a queda expressiva dos preços ao produtor e o aumento dos custos nos últimos meses sugerem que o crescimento do último trimestre será mais modesto. De todo modo, a produção inspecionada em 2017 deve superar a de 2016 em cerca de 3,5%. Importante lembrar que trata-se de uma reversão do movimento de queda na produção verificados em 2015 (- 2,8%) e em 2016 (- 3,7%).

Na balança comercial, o Brasil fechou 2017 com um saldo negativo de 1,14 bilhão de equivalente litros de leite, resultado 31% menor que o déficit do ano anterior. A importação total do ano foi de 1,28 bilhão de equivalente litros de leite, 32,5% menor do que em 2016, enquanto que o volume exportado caiu 40,0%, totalizando 0,14 bilhão de equivalente litros de leite.


Para 2018, apesar das incertezas geradas pelo ano eleitoral e seus reflexos sobre a taxa de câmbio, alguns fatos concretos devem ser considerados pois podem produzir impactos positivos para o setor. O primeiro diz respeito aos indicadores macro que apontam para uma consistente recuperação da atividade econômica, tanto na escala mundial quanto na interna. Este panorama pode consolidar o recente aumento no consumo de lácteos que já refletiu no varejo. O segundo fator positivo refere-se a recente elevação dos preços internacionais de lácteos, especialmente nos leilões da Fonterra, impactados pela previsão de queda de safra na Nova Zelândia e em outras regiões importantes produtoras do mundo. Existem, portanto, boas notícias para o setor neste início de ano, que não deverá ser tão ruim quanto os últimos meses de 2017, especialmente para os produtores.




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