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SIG Combibloc ignora crise e amplia operação no Brasil

01/06/2017 09:04:37 - Por: Valor Econômico

Globalmente, Alemanha, China e Brasil são os maiores mercados de embalagens longa vida e as taxas mais elevadas de expansão têm sido registradas na Ásia e nas Américas.

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A alemã SIG Combibloc, concorrente da Tetra Pak em embalagens longa vida, acelerou os planos para o Brasil depois que inaugurou sua primeira fábrica no país, em 2011, e hoje está apta a produzir quatro vezes mais do que quando iniciou as obras em Campo Largo (PR). Em seis anos, foram quatro projetos de expansão, sobre uma produção inicial de 1 bilhão de unidades por ano. O mais recente deles acaba de ser concluído e consumiu R$ 220 milhões, a despeito da crise econômica que se agravava no país.

"A crise não mudou os planos e não tirou o ritmo de investimentos, embora o mercado tenha crescido menos em volume", diz o diretor-presidente da SIG Combibloc Américas, Ricardo Rodriguez. Por outro lado, diante da desaceleração do crescimento no mercado doméstico, a multinacional colocará em marcha um plano relativamente antigo, de exportar embalagens produzidas no Brasil para outros mercados sul-americanos.

Com a recente expansão, a SIG Combibloc chegará ao fim deste ano com capacidade instalada anual para produzir 4,5 bilhões embalagens cartonadas assépticas (nome técnico da caixinha longa vida) no Paraná, o equivalente a cerca de um terço do consumo doméstico. Antes, a produção estava em 3 bilhões de unidades por ano, integralmente absorvida pelo mercado interno.

A SIG estima que sua participação no mercado de leite, o principal para esse tipo de embalagem, esteja em torno de 15% a 20% ¬ a líder absoluta é a Tetra Pak. "Crescemos cerca de 40% ao ano até 2014. Em 2015 e 2016, perdemos ritmo por causa do cenário macroeconômico, mas é preciso olhar para o longo prazo", afirma Rodriguez.

Em linhas gerais, o consumo brasileiro de caixas longa vida cresceu a taxas de aproximadamente 5,5% ao ano desde 2007, chegando a 13 bilhões de unidades vendidas em 2013. A abertura de novos segmentos de mercado, como o de sucos, contribuiu para essa evolução. Com a recessão econômica, a alta foi "marginal" nos últimos dois anos.

Globalmente, Alemanha, China e Brasil são os maiores mercados de embalagens longa vida e as taxas mais elevadas de expansão têm sido registradas na Ásia e nas Américas. Conforme o executivo, com 4,5 bilhões de unidades por ano, a operação brasileira tem condições de fazer frente à demanda até 2020 sem nova rodada de crescimento. Mas, se o mercado reagir com mais velocidade, há área disponível em Campo Largo para novas expansões.

No país, a estratégia da multinacional é atender grandes contas nacionais, ao mesmo tempo me que alguns clientes regionais também têm lugar em sua carteira. Na América do Sul, além do país, a SIG tem presença no Chile e a meta é avançar sobre novos mercados. Os primeiros embarques devem ser registrados já neste ano, diante da combinação de consumo brasileiro morno e o maior volume de produção.

"A nova capacidade nos permite começar a exportar em 2017, ainda que com volumes pequenos", comenta Rodriguez. De acordo com o executivo, a multinacional está, neste momento, reforçando sua equipe no Chile como parte dessa estratégia. No ano passado, a SIG Combibloc teve faturamento global de € 1,7 bilhão e produziu 35 bilhões de unidades.