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Copervale pode voltar a funcionar ainda este ano

05/07/2017 10:18:57 - Por: Jornal de Uberaba

Motivações do grupo empresarial em adquirir a Copervale foi a oportunidade de entrar na indústria alimentícia.

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A reativação da Cooperativa Regional dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande (Copervale) está mais próxima do que se imaginava. Em entrevista à jornalista Élvia Moraes, da Rádio Sete Colinas, o novo presidente do Conselho de Administração da Copervale, Miguel Larios deu novas informações sobre a situação da empresa. Larios é nicaraguense, engenheiro químico e dono de várias empresas, a maioria no Rio de Janeiro. A pedido do entrevistado, até que as negociações estejam concluídas, o nome do grupo empresarial não será divulgado.

“Nosso grupo é empresarial, investidor e estamos aqui, depois de nove meses de análises, concretizando, através da formalização, da aquisição de 100% das ações da Copervale, em Uberaba. Um dos nossos diretores que trabalha na área alimentos lácteos fez os primeiros contatos com um representante da Copervale e no dia 12 de julho de 2016 se armou a primeira visita para a fábrica. Fomos recepcionados no dia 9 de julho de 2016, onde fizemos uma pequena reunião com alguns acionistas que representavam a Copervale e nos apresentaram o projeto da Cooperativa. Em uma análise nossa, na hora e posterior, tomamos a decisão de dar a abertura do processo de aquisição. Isso levou do dia 19 de julho de 2016 até o dia 14 de fevereiro de 2017, quando se assinou o primeiro contato de intenção. Isso gerou as assinaturas formais, até que no dia 28 de março, se transferiu todas as ações para o nosso grupo”, explicou.

Segundo Larios uma das motivações do grupo empresarial em adquirir a Copervale foi a oportunidade de entrar na indústria alimentícia. “Primeiramente, o que nos motiva a participar da aquisição dessa empresa é porque queríamos entrar na indústria alimentícia. Dentro dessa indústria, escolhemos começar pela área de lácteos. Na indústria de lácteos, a cidade de Uberaba é muito rica pela bacia leiteira que possui. O que nos levou, verdadeiramente, a nos motivar vir para Uberaba foi o desafio. Essa crise que passamos nos últimos três anos e meio no país todo, nos leva ao desafio de querer reconstruir uma empresa que tem uma tradição de quase 70 anos no estado de Minas Gerais. Então, as notícias que pegamos inicialmente, são muitas vezes negativas, mas não pode se julgar uma empresa do porte da Copervale, de 69 anos, simplesmente por uma crise de três ou quatro anos”, defendeu.

Presidente do Conselho de Administração da Copervale falou sobre a recuperação judicial. “Inicialmente, nós fizemos um estudo. A parte jurídica do nosso grupo entrou em contato com a parte jurídica da Copervale e durante meses a fio, houve troca de informações e nós ficamos a par de 90% das informações. Nós enxergamos de forma macro. Não olhamos um pedacinho, um fio. Olhamos os business. E para nós, o business é a tradição que a Copervale tinha na região de Uberaba e adjacências, para atuar na indústria alimentícia. Tinha prestígio, produtos bons, saída, faturamento e simplesmente enxergamos uma oportunidade. Uma empresa que está em recuperação judicial, muitas vezes, para quem está fazendo a aquisição imediata é ruim, mas se você olha do lado de fora, principalmente nós que somos de fora de Uberaba, enxergamos como oportunidade. Então, a recuperação judicial tem vantagens e desvantagens”, aponta.

Larios prosseguiu. “Quando adquirimos a Copervale, nós avaliamos o passivo e o ativo. A cooperativa tem uma história, um patrimônio que foi dado como garantia, inclusive, para que a recuperação judicial pudesse ser aprovada. Nós estamos participando, sim, da Copervale, mas pegamos o processo da recuperação judicial já homologado e isso é uma vantagem. Porque temos praticamente um prazo determinado, para cumprir com as obrigações. Infelizmente, chegamos depois de nove meses e há muitas coisas na recuperação judicial que estão atrasada. Então, viemos nesses primeiros meses, para nos inteirar, participando de coisas e muito trabalho básico. Porque uma empresa que está três anos parada, é muito difícil começar de uma hora para outra. Não vou dizer que a Copervale está depredada, apenas precisa de muitas coisas. Ela está em um leito, em uma UTI e cabe a nós começarmos a fazer tratamento médico para que a Cooperativa se levante e isso não vai acontecer da noite para o dia. Dependendo do paciente pode levar até meses”, argumenta.

Empresário listou os objetivos a curto prazo. “A princípio, coloquei no nosso plano que a primeira coisa a fazer seria nomear a nova direção da Copervale. Temos muitos problemas administrativos, então dividimos em etapas: uma delas é fazer uma gestão da recuperação judicial, que talvez seja o mais difícil, porque incomoda; a segunda parte é um plano de ação de lançar novamente a Copervale no mercado. Ou seja, são duas frentes distintas, sendo que uma delas é para, em um prazo determinado, a Copervale voltar a atuar e a outra é cumprir com as obrigações que a recuperação judicial exige”, comentou.

Larios acrescentou. “Nesses primeiros 60 dias queremos sinalizar para as autoridades, no caso, as administradoras da recuperação judicial, dos processos trabalhistas, de que nós chegamos, que temos um prazo. Nós conseguimos nos primeiros cinco dias de nossa nova gestão, fazer algumas reuniões com grupos trabalhistas. Foram convocados todos, nem todos compareceram. Pedimos um prazo de 40 a 60 dias para nós fazermos uma proposta referente a isso. Para ter um pouco de maturidade e seriedade, queremos chamar os grupos novamente, para uma coisa mais consistente. Com relação as dívidas bancárias, estamos tratando de uma forma, mas uma coisa que nós vamos dar prioridade seria a atender as dívidas dos fornecedores de leite, porque eles sempre acreditaram na Copervale. E com relação a área, para eu poder dizer que vamos reativar, a curto prazo, a indústria Copervale, eu preciso verdadeiramente fazer muita coisa. Tivemos muita depredação, muito roubo de instalações, fiações elétricas, tantas coisas pequenas, mas que atrapalham. Nós estamos conscientes disso e vamos começar a buscar recursos. Para você reativar todo um processo, toda uma fábrica industrial, precisa chamar empresas e elas têm seus prazos, orçamentos e uma série de outras coisas. Outra coisa é a modernização da Copervale. Tem a parte civil, predial e industrial. A Copervale passou por um processo de contaminação de leite. Isso não nos atinge, porque nós entendemos que o importante é a Copervale voltar para o mercado com uma credibilidade e um controle de qualidade do processo, tanto industrial, quanto do produto acabado, extremamente dentro das normas e especificações que o mercado alimentício exige. E essas coisas mudam. Cada semestre, cada ano, os órgãos competentes do governo exigem cada vez mais das indústrias de alimentos”, afirmou.

Presidente do Conselho de Administração da Copervale falou sobre os produtos que devem ser produzidos nesse reinício. “Talvez nos próximos trinta dias nós tenhamos todas as definições montadas com relação ao início da manutenção. Temos um plano de iniciar a manutenção o mais rápido possível. Uma manutenção que pode levar de 90 a 130 dias. Então, talvez no fim de setembro, possamos falar: Vamos dar partida. Estrategicamente, não queremos fazer alarde. Mesmo que a Copervale inicie com 20% ou 30% ou 40% da sua capacidade, queremos iniciar e não parar mais. Até porque tem que ser recuperar a credibilidade dos produtos. Diríamos que vamos para os produtos que a Copervale sempre foi forte e prestigiada pela região: Leite integral, leite desnatado, derivados como queijos, manteigas, creme de leite. E virão novos produtos que com certeza poderão atender, como achocolatados, entre outros. Mas, vai depender muito da manutenção, de ter a certeza de onde deve vir. Outra coisa, depende muito também do plano de negócio que vamos fazer. Se há um produto que oscila muito, é o leite. Então, temos que nos adequar ao mercado”, avaliou.

Larios completou. “Com certeza não vamos ter uma mentalidade de ter uma empresa de Cooperativa. Vamos ter uma empresa de negócios. Então, vamos querer que realmente a empresa se pague. Até porque ela vem para recuperar, mesmo que o grupo investidor empresarial coloque dinheiro, ele quer ver quando esse dinheiro vai voltar. Precisa que façamos uma gestão moderna. A empresa passou pelo vale das sombras, da morte, por três, quatro, cinco anos. Mas, agora já está a iluminação montada. Nossa expectativa é que se tudo correr bem no Brasil, nos próximos quatro ou cinco meses, nós possamos dar início a uma produção. Não a todo vapor, mas sim começar e ir crescendo gradativamente de forma prudente”, concluiu.