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O futuro do agronegócio brasileiro

02/08/2017 09:39:51 - Por: Diário do Comércio. Foto: Alcides Okubo Filho

Embora o agronegócio brasileiro já seja vitorioso, o fato de produzir bem, embora essencial, não é o suficiente em um horizonte de tempo.

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Os ganhos de produção, produtividade e qualidade das safras brasileiras de grãos se configuram numa substantiva escala ascendente desde a década de 1970, embora o café, que entrou no Brasil em 1727, já nos idos de 1850 e até os dias atuais tem sido indispensável à economia, bancou o crescimento brasileiro por décadas consecutivas e ao agregar também, num determinado período histórico, fortes ingredientes políticos e cunhou os havidos “Barões do Café”. Minas Gerais continua sendo o maior produtor de café, com a média de 50% da oferta nacional, e o Brasil lidera a cafeicultura em nível mundial.

Não se podem subestimar, num cenário não apenas de grãos, a bovinocultura de carne, leite, suinocultura, avicultura, fruticultura, horticultura e o setor de base florestal, pois o agronegócio é complexo e multidisciplinar em matéria de produtos, talentos humanos, pesquisas, saberes e competências compartilhadas num mercado que exige ser decifrado por quem planta, cria, compra, vende, abastece e exporta.

Embora o agronegócio brasileiro já seja vitorioso, o fato de produzir bem, embora essencial, não é o suficiente em um horizonte de tempo. É preciso, entre outras abordagens convergentes, transformar programas e projetos em bons resultados, inclusive com capital externo, e reduzir os gargalos nas logísticas operacionais nesse País continental, onde ainda predomina o transporte rodoviário em 57% contra 26,6% nos EUA.

Além disso, ter um balanço positivo ao gerenciar os custos e ampliar a movimentação de cargas via sistemas rodoviário, ferroviário e hidroviário. Não há mistério nisso, mas custa caro essa infraestrutura. O crescimento da agropecuária brasileira, sendo o Brasil o segundo maior produtor mundial de alimentos, determina esse desafio logístico sem fronteiras e seus reflexos também na redução de perdas agrícolas.

Em 2008, o transporte hidroviário de carga nos EUA usava 41,6 mil km de rios e canais, e o perfil do movimento de cargas estava assim configurado; rodoviário, 26,6%; ferroviário, 42,8%; hidroviário, 15%; e totalizando 84,4%, sendo que outros meios somavam 15,6% (Portogente-2008).

Sabe-se que o mercado internacional é uma troca dinâmica e constante de tecnologias, produtos, serviços, e aos quais o agronegócio brasileiro está submetido, na medida em que o comprador é também vendedor. Segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC), o Brasil é uma das economias mais fechadas do mundo e participa apenas com 1,0% do total geral de todos os produtos anualmente comercializados entre os países desse planeta Terra, mas que exige também uma eficiente, rigorosa e presente defesa sanitária animal e vegetal nos cenários da alimentação humana.

Além disso, os consumidores estão cada vez exigentes com relação à qualidade dos alimentos, aos preços acessíveis, e antenados com a saúde e a qualidade de vida. No campo, os empreendedores rurais se desdobram para cumprir sua missão, que passa pela sustentabilidade dos recursos naturais em níveis de estabelecimentos e nos cenários das bacias hidrográficas. E o governo? Deve fazer o que lhe compete por ser o principal indutor de mudanças políticas, econômicas, sociais, ambientais e estruturais.

Na geração dos conhecimentos científicos e tecnológicos, como conceito e prática, se torna também indispensável aumentar a eficiência dos sistemas de ensino, pesquisa e extensão, associados, que devem democratizar o acesso permanente às inovações, essenciais à tomada de decisão, bem como, noutra convergência, garimpar novas demandas do agronegócio brasileiro por pesquisas e sejam elas públicas ou de domínio da iniciativa privada.

Inovar requer adotar, mas a rentabilidade econômica da cultura, ou da criação, pesa muito nos processos produtivos e se fundamenta em conjunturas econômicas, portanto, não é ato solitário e sim solidário.

Houve avanços? Sim, substantivos, mas a modernização do País passa pelo consolidar o agronegócio, pois as mudanças de cenários ocorrem com singular velocidade nesse viger do século 21. Como pano de fundo, pouca gente no campo, milhões de consumidores nas cidades e novas oportunidades de renda e bem-estar social nas paisagens rurais. Porém, persiste uma pergunta: qual o futuro do agronegócio brasileiro numa perspectiva de tempo e quais os presumíveis fatores aceleradores e restritivos? Um exercício e tanto.

Por outro lado, tomando-se Minas Gerais, apenas para efeito didático e no cenário nacional, o Censo Demográfico do IBGE, 2010, revelou também os dados com relação à população rural dos 853 municípios mineiros e dos quais foram selecionados apenas alguns; Alfenas, 6,2%; Araguari, 6,6%; Barbacena, 8,5%; Campo Belo, 5,6%; Conselheiro Lafaiete, 4,6%; Curvelo, 9,2%; Divinópolis, 2,6%; e Governador Valadares, 4,0%.

Também em 2010 (IBGE), o Brasil tinha 15,6% da população total nas áreas rurais, e em Minas Gerais essa taxa era 14,7%. É presumível que, entre 2010 e 2017, milhares de brasileiros tenham deixado o campo por múltiplas razões que se associam e fortalecem essa migração rumo aos centros urbanos ou seja, pé na estrada à procura de novas perspectivas de vida, renda e ganhos sociais. Segundo Eliseu Alves, da Embrapa: “O êxodo rural é uma fatalidade”.

Vale salientar também que entre 1872 (1º Censo Demográfico) e 2010 (IBGE), o Brasil passou de 9,93 milhões de habitantes para 190,75 milhões ou 19,2 vezes mais. O agronegócio brasileiro transita e transitará por essas demografias no viger desse século e cenários a configurar mercados, demandas, ofertas, tecnologias, e gestão eficiente nas artes de plantar e criar, sustentáveis. Há que se avançar mais no manejo do solo, da água, e de outros recursos naturais.