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Produtores querem limite para importação de leite do Uruguai

22/08/2017 10:09:47 - Por: Canal Rural

A entrada de produto estrangeiro no mercado brasileiro é apontada como uma das causas das dificuldades enfrentadas no setor.

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A importação de leite em pó caiu mais de 16% no acumulado de 2017 na comparação com o ano anterior, mesmo assim a entrada de produto estrangeiro no mercado brasileiro é apontada como uma das causas das dificuldades enfrentadas no setor. Por isso, a cadeia quer uma medida que limite a entrada do produto do Mercosul no Brasil.

Já há em vigor um acordo do Brasil com a Argentina que permite cotas para importação aqui no país. Agora, produtores e indústria querem que a mesma limitação vigente na Argentina tenha validade para o Uruguai. Além disso, o setor pediu ao governo que adote outras medidas emergenciais.

"A gente está pedindo uma compra emergencial de 50 mil toneladas de leite em pó em termos de Brasil, para que isso possa dar uma regulada no mercado. Além disso, tem que dar celeridade ao acordo do Brasil com o México, que é um grande importador de leite em pó e queijo", explicou Darlan Palharini, secretário executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul.

A limitação das importações é uma medida que gera divergências no setor. Há quem aponte que o protecionismo impede que os brasileiros aprendam a gerir a produção e fiquem mais competitivos. De outro lado, os que defendem as cotas dizem que o Brasil não está em igualdade de condições com outros membros do Mercosul e por isso o produto estrangeiro causa problemas.

"É bom lembrar que a zona de livre comércio pressupõe política monetária e cambial sincronizada e como isso não ocorre, as importações são deletérias, são predatórias e vem num momento onde o preço já está caindo", aponta Benedito Rosa, ex-secretário de política agrícola do Ministério da Agricultura e comentarista do Canal Rural.

Especialistas do mercado de leite acham provável que o acordo para limitar a importação de leite do Uruguai vigore, a exemplo da limitação vigente com a Argentina. Mas alertam para a necessidade do setor leiteiro avançar a despeito de medidas governamentais.

"A dor é real tanto para a indústria quando para os produtores, mas o que temos argumentado é que isso (limite para as importações) seja sempre paliativo, é importante que a gente saiba as consequências. Nós precisamos tomar uma decisão, quem queremos ser no mercado de leite? Se nós não conseguimos sobreviver com o preço pago atualmente, não estamos sendo competitivos. Nós temos uma faixa de produtores que estão tendo lucro e eles tem que ser observados", explica o sócio-diretor da Transpondo Consultoria.

Independentemente de concordar ou não com as importações, é fato que a cada ano centenas de produtores deixam a atividade e é uma tendência que o próximo censo agropecuário confirme o êxodo mais uma vez, assim como acontece em outros lugares do mundo. Entender porque poucos conseguem enquanto uma vasta maioria pena para se manter na produção é um desafio constante. Mesmo com todos os problemas, tem gente conseguindo viver de leite no Brasil e esses produtores e essas indústrias merecem ser vistas com atenção, vale sempre olhar para eles com o foco em aprender o que fazem e tentar imitar os melhores. Enquanto em Brasília as resoluções avançam, mas ainda em passos mais lentos do que o setor gostaria.