Governo uruguaio rechaça cota proposta pelo Brasil

05-09-2017 11:24:38 - Por: El Observador, traduzidas pela Equipe MilkPoint.

Se o Brasil limitar as compras de produtos lácteos pode ocorrer um duro revés para a recuperação incipiente da indústria de lácteos uruguaia.

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O ministro uruguaio da Pecuária, Agricultura e Pesca (MGAP), Tabaré Aguerre, disse em uma conferência de imprensa que o Uruguai ficou surpreso com as declarações de Blairo Maggi. "É uma guerra comercial que não tem andamento. Para o Brasil, como país, não acho que isso influencie (a exportação do Uruguai) como eles dizem, mas é muito preocupante para nós porque é um mercado natural". 

Embora o Uruguai exporte produtos lácteos para outros mercados, está em uma desvantagem tarifária em comparação com concorrentes fortes como a Nova Zelândia ou a Austrália na China já que o país ou o Mercosul não têm acordos de livre comércio.

Se o Brasil limitar as compras de produtos lácteos pode ocorrer um duro revés para a recuperação incipiente da indústria de lácteos uruguaia. Depois de perder a Venezuela definitivamente como um dos principais destinos, o mercado brasileiro tem sido o principal suporte para as indústrias uruguaias nos últimos dois anos. Os preços internacionais dos produtos lácteos deixaram para trás o piso e conseguiram uma recuperação este ano. 

De acordo com o Inale, a captação de leite uruguaia em julho aumentou 16% em relação ao mesmo mês do ano passado e 7% no acumulado de janeiro a julho. Jorcin disse que estava "preocupado" com a tentativa do Brasil de impor cotas às exportações de produtos lácteos a esse mercado.

"Viemos de dois anos de perdas, embora este ano, os números sejam muito diferentes, porque o clima ajudou muito e há uma concentração de vacas nas fazendas para baixar os custos fixos de alguma forma. Os números estão mudando mas ainda seguramos um fardo bastante pesado, porque, para muitos produtores, está difícil continuar produzindo neste ano. É por isso que muitas vacas foram vendidas e uma série de fazendas leiteiras fecharam as portas neste ano, mais do que o normal”.