Sem Itambé, Vigor ficou ainda mais cara para a Lala, diz banco

26-09-2017 09:50:30 - Por: Valor Econômico

A Lala informou no comunicado de ontem que, sem a Itambé, a aquisição de até 100% das ações da Vigor.

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A decisão da mexicana Lala de manter a compra da Vigor, mesmo sem a Itambé desagradou a analistas e investidores. Ontem, a empresa comunicou ao mercado que o processo para a conclusão da compra da Vigor, controlada da J&F, prossegue mesmo após a decisão da Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais Ltda (CCPR) de recomprar a participação de 50% da Vigor na Itambé Alimentos S.A.

A controlada da J&F tem 50% da Itambé e a CCPR, dona dos outros 50%, tinha direito de preferência no caso de venda da Vigor. No começo de agosto, a J&F vendeu a Vigor à mexicana Lala Foods, por R$ 5,725 bilhões. A operação também incluía até 100% das ações da Itambé. Nesta semana, a CCPR confirmou a informação, antecipada pelo Valor, de que decidiu exercer o seu direito de preferência e recomprar os 50% que havia vendido à Vigor em 2013 por R$ 410 milhões.

A Lala informou no comunicado de ontem que, sem a Itambé, a aquisição de até 100% das ações da Vigor, terá um valor implícito líquido de R$ 4,325 bilhões, considerando vendas líquidas estimadas de R$ 2,407 bilhões em 2017 e um lucro antes de juros, impostos e depreciação (Ebitda) estimado de R$ 200 milhões.

Em relatório, analistas do Credit Suisse consideraram a resposta negativa. "O múltiplo para a transação da Vigor, excluindo Itambé vai a 21,6 vezes o Ebitda (era de 17,4 vezes com Itambé, o que já era considerado caro); as sinergias serão menores sem Itambé; não descartamos que a Lala aumente sua oferta para atrair de volta os acionistas da Itambé (CCPR); e os benefícios [da amortização] do ágio estão em risco (sem relação com a Itambé propriamente)", elenca o relatório do banco.

Na Bolsa do México, as ações da Lala fecharam com queda de 2,78% nesta sexta-feira, a 31,44 pesos.