Startups trazem novos conceitos à indústria de lácteos da Índia Startups trazem novos conceitos à indústria de lácteos da Índia

30-10-2018 10:23:42 - Por: Dairy Reporter, traduzidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint

O sistema educacional dificilmente estimula a agricultura ou a produção leiteira como uma oportunidade de carreira viável.

Startups trazem novos conceitos à indústria de lácteos da Índia
Existem poucas indústrias na Índia que são estabelecidas e dominadas por grandes empresas e cooperativas, principalmente pela indústria de lácteos. Mas isso não impediu que uma linha de startups inovadoras oferecesse uma nova abordagem ao negócio.

Embora pequenas em relação aos grandes nomes de laticínios indianos - como Amul, Mother Dairy e Kwality – essas startups acreditam que podem fazer a diferença com seus produtos, tanto socialmente quanto em termos de eficiência.                                      

A Milk Mantra foi a primeira das três a surgir em 2011. A empresa láctea localizada no estado de Odisha trabalhou 18 meses para conquistar fundos de 22 investidores internacionais antes de poder estabelecer operações. Mas valeu a pena todo o esforço. Em seu primeiro ano de operações, registrou um volume de negócios de 180 milhões de rúpias (US$ 2,5 milhões) e no último ano financeiro havia crescido para 1,2 bilhão de rúpias (US$ 16,4 milhões).

A empresa é típica da nova geração de laticínios. Seu fundador também afirma que sua marca Milky Moo de laticínios é a linha de alimentos e bebidas de mais rápido crescimento na Índia. "Somos o primeiro empreendimento agroalimentar financiado por capital de risco da Índia e somos pioneiros em promover uma revolução empresarial no setor lácteo na Índia e em lidar com o amplo déficit de confiança do consumidor", disse Srikumar Misra, ex-funcionário da Tata Tea. "Nossa abordagem diferenciada de capital consciente demonstrou aos investidores que um empreendimento transformacional da nova era pode ser criado em um setor milenar”, continuou.

Também neste ramo está Aalekh Agarwal, fundador da Cowboys, que foi lançada em 2015 como uma marca de laticínios da fazenda. Seu intuito era fornecer diretamente leite e produtos de sua propriedade de 140 hectares localizada no estado de Rajasthan para clientes que residiam na cidade de Delhi.

Tendo descoberto que o leite que ele normalmente comprava era uma mistura de leite de búfalo, vaca e cabra, ele teve uma ideia. Agarwal decidiu fazer uma mudança, se colocando no lugar do produtor. “A razão para me aventurar nesse domínio totalmente desconhecido para mim era que, quando se trata de leite, como consumidores, não temos outra escolha senão os produtos que as grandes cooperativas oferecem. Na Índia, você entra em um supermercado e não encontra 100 variedades de leite como encontra em um Tesco ou Walmart”, afirmou.

Uma terceira startup, a Happy Cow, foi lançada por um veterano de duas décadas da indústria do leite e ex-chefe da divisão de lácteos da Britannia, Sarad Garodia. Lançada em 2017, a startup agrega leite de produtores através de centros de coleta de leite com alta tecnologia no estado de Maharashtra. Cada centro permite uma coleta de cerca de 2.000 litros de leite por dia. "Com a tecnologia que temos disponível, podemos abordar a coleta de leite de maneira diferente em comparação as outras cooperativas”, disse Garodia. "Somos capazes de obter leite de comunidades dispersas de pequenos agricultores e evitar políticas de preços erráticas, dispensando os intermediários para que os produtores de leite possam desenvolver seus negócios".

O que une as startups é a abordagem inovadora de negociar em uma indústria antiga. A Milk Mantra, por exemplo, obtém o leite diretamente de pequenos produtores. Porém, seus escritórios assemelham-se aos de qualquer startup em qualquer parte do mundo. E seus gráficos de pagamentos, que descrevem o quanto os produtores devem esperar receber por seu leite, são revolucionários no leste da Índia.

A Milk Mantra também se ligou aos bancos para fornecer empréstimos a juros baixos aos agricultores para comprar vacas e fornece-lhes uma boa ração a taxas de mercado. Srikumar Misra contou que os agricultores que abastecem a empresa viram um aumento de 40% em sua renda.

Para startups mais jovens, como a Cowboys, no entanto, garantir financiamento é uma prioridade à frente de todos os outros. Comparada à Milk Mantra, que arrecadou US$ 23,1 milhões em quatro rodadas de financiamento de investidores globais de impacto e mainstream, a Cowboys está tendo que trabalhar duro. “Nós tivemos muito interesse por volta de 2016, mas foi extremamente difícil convencer os investidores sobre um negócio que depende fortemente da pecuária. Os investidores normalmente estão mais interessados em que as avaliações dupliquem ou quadrupliquem, o que não é algo que eles viram neste domínio”, disse Agarwal, que até agora vem financiando a expansão por meio do crescimento de receita da própria Cowboys.

Embora ele acredite que a Índia precisa de mais empresários do setor de lácteos para colocar a indústria sob os holofotes dos investidores, há uma escassez de pessoas dispostas a participar. “Os lácteos definitivamente precisam de mais empreendedores, mas infelizmente ninguém está pronto para sujar as mãos. O sistema educacional dificilmente estimula a agricultura ou a produção leiteira como uma oportunidade de carreira viável. Um pouco mais de foco na educação de qualidade neste campo faria maravilhas”, acrescentou.

Já a Happy Cow foi bem-sucedida, talvez porque seu fundador seja influente na indústria de laticínios. Ela levantou 40 milhões de rúpias (US$ 546.343) em sua rodada inicial de financiamento de vários investidores anjos, incluindo o ex-executivo do Citibank e empreendedor em série, Mahendra Mehta que atua como presidente da empresa.

A aposta parece ter valido a pena, depois que a startup anunciou receita de 60 milhões de rúpias (US$ 819.515) apenas nos primeiros quatro meses de operação, que Garodia diz estar sendo usada para expandir ainda mais suas operações. Como Agarwal, ele acredita que o maior problema que impede a cena de startups é a falta de talento além dos executivos estabelecidos que controlam a indústria das empresas privadas e de todas as cooperativas poderosas.

"Se pudermos acessar pessoas mais qualificadas, as coisas vão mudar com o tempo. Na Índia, temos uma riqueza de conhecimentos tecnológicos que podem ajudar as startups, mas são as pessoas com experiência em lácteos que nos faltam”.

O que o futuro reserva para as startups neste setor?

De acordo com Misra, é preciso que os empresários permaneçam no jogo e perseverem em suas ambições. Por estar consciente de seus produtos e mercado, vão encontrar as eficiências e soluções inovadoras que só as startups podem identificar. Juntas elas podem mudar a direção da indústria.

"A indústria de lácteos é uma categoria antiga que precisa de uma reformulação completa que envolva um longo período de elaboração. No entanto, isso não é fácil e apenas as empresas que criam marcas fortes são capazes de comandar margens mais altas. Obter investidores de capital de risco e de private equity alinhados a esses horizontes de longo prazo torna-se algo crítico e desafiador”, finalizou.