Capacitação concentra esforços no maior gargalo da produção de leite em Goiás

21-03-2019 08:45:35 - Por: Embrapa. Foto: Fábio Noleto

O foco da capacitação continuada é a alimentação do rebanho leiteiro com palestras sobre a formação de pastagens.

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A alimentação inadequada ou insuficiente do rebanho é responsável pelo baixo desempenho da produção de leite, especialmente, nas pequenas e médias propriedades em Goiás. O problema é considerado por técnicos como o mais importante obstáculo para o avanço da atividade. A fim de ajudar a reverter essa situação, a Embrapa realiza em sua sede, em Santo Antônio de Goiás (GO), nos dias 19, 20 e 21 de março, o quarto módulo de capacitação continuada para 60 profissionais ligados à Emater e ao Senar Goiás.

O foco da capacitação continuada é a alimentação do rebanho leiteiro com palestras sobre a formação de pastagens, a escolha de capins para cultivo, a alimentação do rebanho leiteiro em diferentes fases de desenvolvimento dos animais e também no período crítico da seca. A analista da Embrapa Gado de Leite, Pricila Vetrano, é uma das coordenadoras do evento. Ela destacou que esta etapa da capacitação irá aprofundar ainda elementos já abordados nas edições anteriores como o manejo de pastagens, visita à vitrine de forrageiras da parceria Embrapa/UNIPASTO e escolha de cultivares de cana-de-açúcar na alimentação de bovinos.

Pricila Vetrano apontou que uma das tecnologias a serem apresentadas é a variedade de capim-elefante BRS Capiaçu. Esta tem porte alto, média de 4,2 metros, dependendo das condições de cultivo, e tem alta produção de biomassa. A gramínea é indicada para cultivo de capineiras. No período da seca, pode ser fornecida para os animais picada verde no cocho ou como silagem. A BRS Capiaçu produz cerca de 50 toneladas de matéria seca por hectare ao ano, o que a torna bastante competitiva em relação a outras opções disponíveis.

Pricila Vetrano afirmou que os módulos de capacitação continuada em pecuária de leite fazem parte de um projeto maior que envolve a implantação de Unidades de Referência Tecnológica (URT) em diferentes localidades do estado de Goiás. Assim, o conjunto de recomendações técnicas e de tecnologias que integram os cursos passam a poder ser conferidas na prática em determinadas propriedades rurais. Atualmente, existem URTs nos municípios de Cavalcante, Nova Veneza, Caçu e Rianápolis. 

O chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Arroz e Feijão, André Coutinho, que participou da abertura do módulo de capacitação continuada em pecuária de leite, considera que as URTs são locais de validação de tecnologias que servem para a interlocução com produtores e técnicos e que funcionam como centros irradiadores de conhecimento para determinada região. 

Mais perto do produtor

De acordo com o coordenador de Assistência Técnica do Senar Goiás na parte de pecuária leiteira, Joás Barbosa Bueno, 40 técnicos da instituição participam do módulo de capacitação continuada. “O Senar está em link diretamente com o produtor. Somos um canal de transferência de tecnologia e cada técnico assiste a 30 propriedades”, contou.

O zootecnista Davi Dias é um dos técnicos que participa da capacitação. Ele atua na região de Araguapaz (GO) e explicou o que acha da iniciativa. “É importante juntar a parte acadêmica, a parte de pesquisa, com a parte do pessoal que está no campo, que está vendo no dia a dia as necessidades do produtor, e levar o que ele precisa ouvir. Aqui na Embrapa nos sentimos acolhidos e temos uma base científica muito forte que nos dá respaldo”, disse.

Para outro técnico, Ricardo Galvão, que assiste localidades do nordeste goiano, municípios de Cavalcante e Teresina de Goiás, o treinamento é uma oportunidade para conhecer tecnologias e compartilhá-las. “Sabemos dos custos altíssimos de produção e nós estamos aqui buscando informações sobre como amenizá-los. Ontem, nós tivemos, por exemplo, duas palestras sobre duas tecnologias: BRS Capiaçu e BRS Kurumi. São duas forrageiras excelentes, de fácil acesso para o produtor”, afirmou.

O projeto para suporte à pecuária leiteira em Goiás é uma parceria entre a Embrapa, Emater, Senar Goiás e UNIPASTO. O estado responde por 8,9% da produção brasileira, cerca de 2,9 bilhões de litros (dados do IBGE), sendo o quarto maior produtor no ranking nacional.