Leite/Cepea: Em janeiro, preço real é o maior da série para o mês Leite/Cepea: Em janeiro, preço real é o maior da série para o mês

30-01-2020 10:53:50 - Por: Natália Grigol, em Cepea-Esalq/USP

A alta é decorrente da competição entre laticínios para garantir a compra de matéria-prima no campo num contexto de oferta limitada.

Leite/Cepea: Em janeiro, preço real é o maior da série para o mês
O preço do leite pago ao produtor em janeiro (referente ao volume captado em dez/19) foi de R$ 1,36835/litro na “Média Brasil” líquida, alta de 1,1% frente ao mês anterior e 2,2% acima do observado em jan/19. Este é o maior preço real da série histórica do Cepea para um mês de janeiro. A alta é decorrente da competição entre laticínios para garantir a compra de matéria-prima no campo num contexto de oferta limitada – o que é atípico para o período, geralmente caracterizado pelo aumento da produção puxada pelo Sudeste e Centro-Oeste e estabilidade na captação do Sul do País.

A pesquisa do Cepea demonstrou que o Índice de Captação Leiteira (ICAP-L) recuou 1,2% de novembro para dezembro na “Média Brasil”. O resultado está atrelado à queda de 7,3% no RS, 1,4% em MG e 0,5% em GO. 

A lenta recuperação da produção na primavera, em decorrência do atraso das chuvas, limitou o crescimento da oferta no Sudeste e no Centro-Oeste, sustentando os preços em patamares altos. No Sul do País, o recuo da produção foi maior do que o esperado, devido aos menores volumes de precipitações. No Rio Grande do Sul, especificamente, as altas temperaturas e a estiagem impactaram negativamente a atividade leiteira, por conta do aumento do estresse calórico enfrentado pelos animais e da diminuição de alimentos para o rebanho – devido à menor disponibilidade de pastagem e também aos prejuízos no plantio de milho para silagem.

Combinado a isso, deve-se destacar que o aumento dos custos de produção (em especial do preço do concentrado) e o abate de vacas leiteiras, estimulado pelos elevados preços no mercado de gado de corte, também prejudicaram a produção de leite no último trimestre de 2019. A oferta restrita, portanto, levou a curva de preços a fugir do padrão sazonal.

Gráfico 1. Série de preços médios recebidos pelo produtor (líquido), em valores reais (deflacionados pelo IPCA de dezembro/19)
Fonte: Cepea-Esalq/USP.

A dificuldade de recuperação da captação leiteira no Sudeste e no Centro-Oeste em plena safra e o encarecimento dos custos de produção preocupam agentes do setor. Os estoques de derivados seguem enxutos, o que estimulou a alta de 5% no preço do leite spot em MG em janeiro. A média parcial de janeiro (até o dia 28) da muçarela negociada no atacado paulista subiu 2,5%, enquanto a do UHT caiu 1,5%, devido à pressão dos canais de distribuição. Assim, a expectativa é de que os preços do leite no campo se mantenham firmes no 1º trimestre de 2020.

Preços do leite pagos ao produtor no mês de Janeiro/20


Cotações de leite cru - Preços pagos pelos laticínios e recebidos pelos produtores (líquido) em Janeiro/20 referentes ao leite entregue em Dezembro/19 nos estados que compõem e não compõem a “Média Brasil”. 
Dados deflacionados pelo IPCA de Dezembro de 2019.
A “Média Brasil” líquida contém os preços de BA, GO, MG, SP, PR, SC e RS ponderados pelos seus respectivos volumes de negociação, sem considerar frete ou impostos. Demais estados RJ, ES, MS, CE e PE não estão incluídos na “Média Brasil”.