Consumo de iogurte está associado à redução da mortalidade em mulheres

16-07-2020 12:48:27 Por: Sandeep Ravindran, International Milk Genomics Consortium, publicadas na California Dairy Magazine, traduzidas pela Equipe MilkPoint

Consumo de iogurte está associado à redução da mortalidade em mulheres
O iogurte não é apenas gostoso, é também uma excelente fonte de nutrientes valiosos, incluindo proteínas, cálcio, magnésio e vitamina B12, e tem sido associado a vários benefícios à saúde. Talvez não seja surpreendente que se pense que o iogurte aumenta a vida útil. "Há muito tempo se afirma que o iogurte e outros produtos lácteos fermentados, como o kefir, prolongam a expectativa de vida de países da Europa Oriental, como a Bulgária", diz Karin Michels, da Universidade da Califórnia, em Los Angeles. "Estávamos curiosos se essas alegações seriam suportadas por dados", diz ela.

O grupo de Michels estuda o papel potencial do microbioma na mediação da conexão entre dieta e resultados de saúde. “Os alimentos fermentados têm maior probabilidade de influenciar o microbioma, por isso ficamos curiosos para ver como o iogurte poderia afetar a longevidade”, disse ela.

Estudos epidemiológicos anteriores mostraram que a ingestão regular de iogurte está associada a menores riscos de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e certos tipos de câncer. No entanto, estudos que analisam como o consumo de iogurte se relaciona com a mortalidade têm sido relativamente escassos e seus resultados muitas vezes são inconsistentes.

Em um novo estudo, Michels e seus colegas analisaram dados de mulheres e homens norte-americanos para avaliar se o consumo de iogurte está associado a riscos reduzidos de mortalidade. Um total de 82.348 mulheres e 40.278 homens foram incluídos na análise e os pesquisadores usaram questionários validados para avaliar o consumo de iogurte. A categoria das mulheres foi seguida de 1980 a 2012 e os homens de 1986 a 2012. "O consumo regular de iogurte foi associado à longevidade entre as mulheres", diz Michels.

Serão necessários mais pesquisas de acompanhamento para elucidar os mecanismos pelos quais o iogurte pode estar influenciando o risco de mortalidade. O consumo de iogurte está correlacionado com maior ingestão de cálcio, mas Michels e seus colegas não encontraram uma grande diferença na associação entre ingestão de iogurte e mortalidade quando se ajustaram à ingestão de cálcio.

Uma possibilidade é que os efeitos do consumo de iogurte na mortalidade sejam mediados por alterações no microbioma intestinal. A microbiota intestinal humana já havia sido associada a alterações no sistema imunológico, colesterol e ganho de peso. Além disso, estudos sugeriram que o iogurte pode modificar a composição da microbiota intestinal de maneira benéfica, e as bactérias presentes no iogurte, como Lactobacillus e Bifidobacterium, podem ter efeitos benéficos na função imunológica que podem proteger contra doenças crônicas. “Atualmente, estamos realizando estudos de alimentação com iogurte e kefir para estudar com mais precisão o impacto desses produtos lácteos fermentados no microbioma”, diz Michels.

Michels observa algumas limitações do presente estudo. "Gostaríamos de ser capazes de diferenciar os tipos de iogurtes para obter melhores informações sobre o estudo", diz ela. "Além disso, a frequência de consumo nos EUA é geralmente mais baixa do que na Europa, especialmente entre os homens, por isso é mais difícil avaliar o impacto de um consumo mais frequente e uma relação dose-resposta", diz Michels.

O estudo conclui que o consumo regular de iogurte estava relacionado ao menor risco de mortalidade entre as mulheres. "O consumo regular de iogurte provavelmente beneficia a saúde humana", diz Michels. "Embora não tenhamos conseguido diferenciar os tipos de iogurtes, o iogurte sem adição de açúcar e sabores é provavelmente o mais benéfico para a saúde", disse ela.