Vendas on-line têm sustentado produção do queijo canastra durante a pandemia de Covid-19 em São Roque de Minas

20-07-2020 09:45:52 Por: G1

Vendas on-line têm sustentado produção do queijo canastra durante a pandemia de Covid-19 em São Roque de Minas
A pandemia do novo coronavírus provocou uma onda de mudanças em diversos setores da economia e a produção do queijo canastra em São Roque de Minas não ficou de fora. O G1 conversou com três produtores rurais que, no início da quarentena, chegaram a registrar queda de 50% na produção, mas com o uso da internet conseguiram achar um ponto de equilíbrio para manter a fabricação do queijo que é reconhecido internacionalmente.

A venda on-line foi a melhor saída para o produtor Guilherme Ferreira, proprietário da fazenda Estância Capim Canastra. O queijo que ele produz foi um dos primeiros da região a receber título internacional de reconhecimento do produto e, por isso, sempre vendeu para diversas regiões do Brasil.

De acordo com ele, 80% das vendas que fazia antes da pandemia eram direcionadas a restaurantes, principalmente em São Paulo. Com os reflexos da pandemia e todos os estabelecimentos fechados, ele teve a pior queda de produção nos últimos anos.

"Eu ordenhava as vacas para a fabricação do queijo duas vezes por dia, pela manhã e à tarde. Passei a ordenhar apenas pela manhã. O ritmo de produção era bem acelerado e acho, inclusive, que a pandemia serviu para repensar o modo de produção. O que eu fiz foi mudar meu público, que eram os restaurantes em sua maior parte e passei a vender para o consumidor final por meio de encomendas pela internet", relatou Guilherme.

Pela internet é possível ter acesso à produção da fazenda Estância Capim Canastra e também fazer encomendas pelo site ou redes sociais: @capim.canastra.

Na fazenda Santiago, do produtor José Antônio Faria, são fabricados diariamente cerca de 45 queijos. No início da pandemia, a produção parou por completo e, à medida em que foram ocorrendo as flexibilizações, as vendas se voltaram totalmente para a internet.

"Tivemos uma redução na produção porque isso é inevitável, mas as vendas na internet estão ajudando muito e agora estamos voltando a crescer de novo. A gente vendia para alguns estados do Brasil e agora estamos focados no consumidor final, mas também despachando pelos Correios", contou a responsável pela produção, Raquel Costa Faria. É possível ter acesso à produção da fazenda Santiago e também fazer encomendas pelo telefone: (37) 98831-0608 ou pelas redes sociais: @queijofazendasantiago.

A Fazenda Talismã, assim como as demais citadas nesta reportagem, antes da pandemia recebia com frequência a visita de turistas na produção do queijo. Segundo o produtor Antônio de Faria Costa, as visitas de pessoas de diversas partes do mundo alavancavam as vendas. Mas, na pandemia, sem nenhuma visitação, a queda das vendas atingiu os 50% no período mais crítico.

A crise assustou tanto o produtor que para equilibrar as contas ele teve que vender oito vacas. Com a produção pela metade, ele também se reinventou e passou a receber encomendas pela internet e, assim, ele despacha o queijo canastra pelos Correios. Com isso, recentemente a produção e as vendas voltaram a ficar equilibradas.

"Fiquei muito assustado no inicio, pois foi parando tudo e achei que não ia ter para quem vender os queijos. Vendi vacas de lactação e solteiras. Tive que fazer isso para pagar as contas que estavam vencendo, mas agora as vendas estão aumentando de novo", contou o produtor.