Maiores importadores mundiais de lácteos

27-07-2020 09:48:21 Por: CILeite Embrapa

Maiores importadores mundiais de lácteos
O desempenho da atividade leiteira mundial foi afetado pela pandemia, mas em diferentes momentos e intensidades. Aparentemente não houve ruptura na produção nem no processamento. Os preços permanecem estáveis, mas houve pequena retração do consumo.

A condição de cada país, em termos de autossuficiência em lácteos também é um determinante na avaliação dos impactos do Covid-19. Notadamente países historicamente importadores, no geral, já vinham convivendo com preços mais altos ao consumidor.

Diante de um cenário com demanda interna enfraquecida e taxas de câmbios menos favoráveis vêm apresentando tendências de redução nas importações, abrindo-se a possibilidade de alcançarem autossuficiência em lácteos.

China

2019 – Antes da pandemia

A China é o maior importador de lácteos do mundo. Em 2019, o consumo de lácteos no País foi de 44,8 milhões de toneladas em leite equivalente. O consumo per capita de lácteos é baixo, com volume equivalente a 100 gramas de leite por habitante/dia. Mas, cresce 6% ao ano em média. Apesar de altos preços ao produtor, a oferta interna de leite não acompanha o crescimento da demanda. A importação representa 25% da disponibilidade e cresce em média 6,5% ao ano. No ano passado, a importação representou 9 milhões de toneladas em equivalente leite. Em produto foram 2 milhões de toneladas de leite em pó e 1 milhão de toneladas de leite fluido. Cerca de 45% é importado da Nova Zelândia e o restante de outros cinco países: Estados Unidos, Austrália, Alemanha, França e Holanda.

O preço ao produtor foi US$ 0,56/kg; e o custo médio de produção de US$ 0,48 por kg. A produção de leite cresceu 4,1%, fechando em 32 milhões de toneladas dos quais 25,4 milhões como leite fluido. O consumidor pagou o equivalente a US$ 1,53 por kg.

2020 – Primeiro semestre

Entre janeiro e março – atribui-se à pandemia – um crescimento atípico de 8% no preço do leite ao produtor. A quantidade processada caiu 17% e do volume processado, houve uma destinação de 20% a mais para leite em pó. Para a indústria houve redução de 6% nas receitas; de 53% nos lucros e de 30% nas vendas. O volume de vendas online de lácteos fluidos mais do que dobrou no período. A venda de leite em pó cresceu 40%. A importação de queijos cresceu 15% e do leite fluido 20%.

Apesar do país estar com retorno das atividades econômicas desde maio, uma política governamental de emergência está em curso. Para a indústria, um subsídio equivalente a US$ 0,03 por kg de leite. Para o produtor: US$ 700 por novilha importada; US$ 11 por uma inseminação; e US$ 7 por tonelada silagem utilizada.

Previsão para 2020: usar 17% da produção, originalmente em leite fluido, para processamento em leite em pó. Sem muita expectativa de mudanças no câmbio, renda real ou ritmo de importações.

Rússia

A Rússia é o segundo maior importador de lácteos do mundo. Importa 20% do consumo, o equivalente a 4,0 milhões de toneladas em leite equivalente por ano. Apesar de altos preços ao produtor, a produção de leite se manteve estagnada nos últimos 20 anos. A partir de 2013 os preços ao produtor caíram 25%. Atualmente, o produtor recebe o equivalente a US$ 0,45 por kg, um pouco mais alinhado ao patamar de preços internacionais.

2020 – Expectativa de reverter importações

As mudanças recentes nas taxas câmbio neste primeiro trimestre de 2020 tornaram a produção doméstica de leite na Rússia 20% mais competitiva e, atualmente com crescimento de 8% ao ano. A indústria poderá ter a escolha de compra de leite cru no mercado doméstico para agregação de valor a produtos lácteos atualmente comprados da Bielo Rússia ou Nova Zelândia. O desenvolvimento da indústria de queijos está possibilitando com que o país venha a se tornar também exportador de soro.

Em continuar um ritmo de crescimento maior do que o crescimento da demanda e desvalorização do rublo frente ao dólar podem tornar a Rússia autossuficiente em lácteos até o final deste ano. Para um mercado que é do tamanho de 20% da produção atual da Nova Zelândia, pode sobrar leite no mercado internacional. Tudo leva a crer que a Ucrânia poderá vir a ser a segunda melhor alternativa para a exportação da Bielo Rússia.