Safra mineira de grãos pode bater recorde em 2019/20

12-08-2020 10:31:27 Por: Diário do Comércio

Safra mineira de grãos pode bater recorde em 2019/20
O clima favorável para a produção agrícola e os investimentos em tecnologias estão contribuindo para que Minas Gerais tenha uma safra 2019/20 recorde de grãos. De acordo com o 11º Levantamento da Safra de Grãos 2019/20, divulgado, ontem, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção estadual deve alcançar 15,11 milhões de toneladas, volume 6,4% maior.

O destaque do período é a produção de soja, que cresceu 18%. No Brasil, a estimativa é colher 253,7 milhões de toneladas de grãos, alta de 4,8%. Para a próxima safra, as perspectivas também são positivas e a tendência é de aumento uma vez que a demanda e os preços estão favoráveis.

Este ano, a produção estadual vem crescendo em função do ganho de produtividade, que está 5,8% maior que o verificado na safra passada, com rendimento médio de 4,35 toneladas por hectare. Em relação à área ocupada, a alta foi de apenas 0,6%, com o uso de 3,47 milhões de hectares.

De acordo com o diretor de Política Agrícola e Informações da Conab, Sérgio De Zen, tanto em Minas como no Brasil foi registrado aumento da produtividade. “Notamos um aumento da produtividade, o que é muito positivo”, avaliou.

Soja – O destaque da safra 2019/20 é a soja. Com a colheita já encerrada, a produção em Minas alcançou 5,98 milhões de toneladas, aumento de 18% frente as 5 milhões de toneladas colhidas no período produtivo anterior. Na produtividade, foi registrada elevação de 12,8%, com rendimento médio em torno de 3,64 toneladas por hectare. Com maior liquidez e preços atrativos, a cultura teve expansão de 4,6% na área, que totalizou 1,64 milhão de hectares.

“Os números da soja foram impressionantes e as exportações estão em alta. O câmbio tem favorecido as negociações com o mercado externo e no mercado interno há uma certa expectativa de aumento da demanda”, disse.

A produção estadual de milho deve somar 7,47 milhões de toneladas, queda de 0,8% frente as 7,53 milhões de toneladas colhidas no ano anterior. Ao todo, a produtividade da cultura caiu 0,3%, com a colheita de 6,42 toneladas por hectare. A área utilizada foi de 1,16 milhão de hectares, 0,5% menor.

Na primeira safra, a produção mineira chegou a 4,67 milhões de toneladas, aumento de 1,6%. No período, a produtividade cresceu 5,6% e encerrou em 6,48 toneladas por hectare. Já na segunda safra, a falta de chuvas prejudicou o rendimento, que caiu 9,4% e somou 6,32 toneladas por hectare. Com a queda na produtividade, houve redução de 4,6% no volume colhido, que chegou a 2,8 milhões de toneladas. No período, a expansão da área foi de 5%, somando 442 mil hectares.

“O milho é a principal fonte energética para a produção de proteína e a demanda segue firme. As exportações também estão elevadas, sustentadas pelo câmbio altamente valorizado, o que favorece as negociações”, explicou De Zen.

Já a produção de feijão total está 2,9% maior. No Estado, a produção será de 558,1 mil toneladas. Houve expansão de 8,4% na produtividade das lavouras, o que gerou um rendimento médio por hectare de 1,6 tonelada. A área plantada caiu 5,1% e ficou em 345,2 mil hectares.

Na primeira safra de feijão, Minas Gerais colheu 194,1 mil toneladas, aumento de 22,6%. Na segunda, a produção foi de 170,7 mil toneladas, queda de 15,9%. Para a terceira safra, que é irrigada e está em período de colheita, a previsão é colher 193,3 mil toneladas, o que, se alcançado, será 6,6% maior.

De acordo com De Zen, a oferta de feijão no mercado segue limitada, o que deve favorecer os preços do grão. “Os preços atuais estão cerca de 50% maiores que os praticados na safra passada e têm se sustentado pelos estoques bastante apertados em relação à demanda”, destacou.

Algodão – A produção de algodão em caroço foi estimada em 162,3 mil toneladas, queda de 3,8% frente à safra anterior. A queda se deve à redução de 9,3% na área, que somou 38,1 mil hectares. As condições climáticas foram favoráveis e a produtividade está estimada em 4,25 toneladas por hectare, variação positiva de 6%.

Queda também é esperada na produção de trigo. De acordo com a Conab, a área em produção retraiu 11,7% e somou 77,7 mil hectares. A produção está estimada em 202,6 mil toneladas, 2,7% inferior as 208,3 mil toneladas colhidas no período anterior. A produtividade esperada está 10,1% maior, com rendimento de 2,6 toneladas por hectare.

De acordo com o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), César Halum, a safra 2019/20 de grãos segue para a fase de finalização e as expectativas são positivas para o próximo período produtivo.

“Para a safra 2020/21, esperamos uma produção maior. Um dos motivos é a demanda pelo crédito agrícola, que, no primeiro mês da safra, se manteve bem aquecida. A tendência é de que o produtor invista no plantio, em tecnologias e pesquisas, o que pode trazer resultados muito positivos. Percebemos que a maior demanda tem sido pelos recursos de investimentos e não de custeio. Se as condições climáticas permitirem, teremos uma safra maior”, disse.