Em julho, leite foi o produto da cesta básica que mais aumentou de preço em Porto Alegre-RS

13-08-2020 09:27:39 Por: Diário Gaúcho

Em julho, leite foi o produto da cesta básica que mais aumentou de preço em Porto Alegre-RS
Usar o leite para deixar o café menos amargo trará amargor para outro lugar: o bolso. Isso porque o produto de origem animal foi o que apresentou a maior alta de preço entre os itens da cesta básica em Porto Alegre.

A elevação constatada entre junho e julho está na pesquisa mensal do Departamento Intersindical de Estudos Econômicos (Dieese). O levantamento é baseado no preço de 13 alimentos que, para o órgão, representam a cesta básica de uma família brasileira.

No caso do leite, em Porto Alegre, o aumento entre um mês e outro foi de 5,67%, segundo o Dieese. Das 17 capitais pesquisadas, o produto teve alta em 16. A menor elevação foi de 1,07%, em Florianópolis, e a maior de 12,05%, em Goiânia. 

Mas por qual razão o produto lácteo está mais caro? Economistas e especialistas setor apontam vários fatores, que vão desde a recorrência do aumento neste período do ano, até o cenário de maior consumo gerado pela pandemia do coronavírus.

Daniela Sandi, economista do Dieese, também cita a baixa oferta causada pela redução na produção como um dos efeitos no preço. Isso ocorre porque a entressafra do leite se dá neste período do ano. No caso da região Sul, Daniela avalia ainda que outros fatores – a estiagem e a redução nas pastagens causada pela chegada do inverno – influenciaram para que os estoques diminuíssem, mas a procura seguisse forte, elevando o preço. Com mais gente em casa e com a renda sendo aplicada em boa parte na alimentação, o leite acabou sendo afetado.

Menos produção

Para o secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat-RS), Darlan Palharini, a entressafra é o fator mais relevante na influência no preço. Segundo ele, Goiás e Minas Gerais, dois principais produtores do país, estão sentindo bem esse período, com a redução na produção.

O consumo seguiu aquecido, principalmente, pela injeção do auxílio emergencial na economia. Isso complementou a renda de alguns, mas também tornou-se a renda de famílias que não tinham nada, fazendo com o que consumo seguisse em alta, mesmo com a redução de compra por hotéis e restaurantes, por exemplo – explica Darlan.

O secretário do Sindilat diz que apesar da elevação no preço, há uma estabilização desde maio, quando os efeitos da pandemia ficaram mais uniformes no país. Para Darlan, a tendência é de que as variações não sejam significantes nos próximos três meses, mesmo com a incerteza que será gerada pelo fim do auxílio governamental. Para depois disso, o setor ainda trabalha com um cenário de indefinição.

Se as famílias tiverem de reduzir seu consumo, ainda estaremos na entressafra, poderá se equilibrar a conta. 

O setor de alimentos não está sentindo tanto a crise, pois vem na dependência deste auxílio do governo. Só que depois que isso acabar, não sabemos como vai afetar o consumo. Em 2017 tivemos um cenário de crise e mesmo baixando o preço, as famílias não tinham poder de compra – exemplifica Darlan.

No geral, cesta mais barata

Apesar da alta no preço do leite, entre os 13 itens pesquisados pelo Dieese na Capital, sete apresentaram queda de preço e seis, incluindo o leite, tiveram aumento (veja a lista completa no quadro abaixo). Com isso, no total, a cesta básica ficou 0,23% mais barata. No acumulado do ano, o conjunto de produtos está em alta de 0,97%. Levando em conta os últimos 12 meses, esse índice vai para 3,65% de acréscimo.

Em julho, para comprar todos os itens da cesta básica do Dieese, uma família teria de desembolsar R$ 511,22. Isso representa 52,89% do salário mínimo líquido. Para quem recebe apenas os R$ 600 do auxílio emergencial, a parcela comprometida para compra de alimentos seria de 85,2%.

Mensalmente, o Dieese calcula, levando em conta os dados da cesta básica e de manutenção necessários para um família comum, qual deveria ser o salário mínimo. Atualmente, este valor deveria ser de R$ 4.420,11, ou 4,23 vezes o mínimo atual, de R$ 1.045.