Projeto altera perfil de produção pecuarista familiar no Semiárido Baiano Projeto altera perfil de produção pecuarista familiar no Semiárido Baiano

08-09-2020 10:18:00 - Por: Embrapa Semiárido

Disseminando técnicas sustentáveis para a produção e manejo de forragem, além de métodos para armazenamento alimentar em épocas de estiagem.

Projeto altera perfil de produção pecuarista familiar no Semiárido Baiano
Uma iniciativa da Embrapa Semiárido em parceria com a Chesf vem ajudando a alterar o perfil de produção de pecuaristas familiares no Semiárido Baiano, disseminando técnicas sustentáveis para a produção e manejo de forragem, além de métodos para armazenamento alimentar em épocas de estiagem.

É o Projeto ‘Eólicas de Casa Nova’, que já distribuiu mais de 150 mil raquetes de palma Orelha de Elefante, material resistente à Cochonilha do Carmim, e mais de quatro toneladas de sementes de sorgo Ponta Negra, milho Gorutuba e Sertanejo, feijão Marfim e Pujante para cerca de 170 produtores familiares do entorno do Parque Eólico de Casa nova, na Bahia.

As cultivares distribuídas são frutos de pesquisas da Embrapa, adaptadas ao ambiente quente e seco do Semiárido Nordestino. Com essas ações, o projeto vem contribuindo com a manutenção de uma suplementação com alto valor nutritivo para alimentação animal nos períodos de estiagem, explica o coordenador do projeto e pesquisador da Embrapa, Rebert Coelho Correia.

Com pouco mais de dois anos em execução, o projeto já viabilizou o armazenado de 150 toneladas de silagens, volume estimando para alimentação de 858 caprinos e/ou ovinos por 60 dias durante o período de seca, que vai de julho a novembro na região. ‘Essa suplementação ajuda a prolongar o tempo de descarte, elevando a renda do produtor com a venda de animais com maior qualidade em período de escassez no mercado’, comenta o pesquisador.

Pesquisador Rebert Correia acompanhando andamento do projeto em propriedade familiar

Outro ponto bastante trabalhado no projeto envolve os treinamentos e capacitações, que levam conhecimento aos produtores sobre o manejo de forragem, novas combinações para a dieta dos animais e armazenamento prolongado via silagem, um método eficiente e de baixo custo para a alimentação dos rebanhos.

Instalação de poços artesianos

Além das atividades desenvolvidas para melhorar o manejo alimentar dos animais no Semiárido, o projeto também selecionou, dentre os produtores cadastrados, 22 agropecuaristas para a perfuração e instalação de poços artesianos e sistemas de irrigação, fornecendo também orientações básicas de manejo racional da água para evitar a salinização e deterioração dos solos.

‘A utilização da água desses poços tem feito uma grande diferença, pois os produtores conseguem realizar o plantio e a manutenção das forrageiras mesmo no período de estiagem, obtendo alimento para os animais ao longo do ano’, revela Correia.

Ademais, a água também tem sido utilizada na dessedentação dos animais, com a redução da pressão sobre vegetação nativa e diminuição da dependência de órgãos oficiais e programas de distribuição de água. ‘Essa independência do produtor do poder público e dos carros pipas é uma questão extremamente relevante no projeto, uma medida que poderia se tornar uma política pública de Estado’, completa Correia.

Os poços também têm viabilizado, em algumas propriedades, a produção de hortaliças, acrescentando mais uma opção de aumento de renda para as famílias do Semiárido Baiano.