Leite/Cepea: Preço do leite captado em outubro e pago em novembro cai 11 centavos/litro

30-11-2020 16:34:59 Por: Natália Grigol, em Cepea-Esalq/USP

Leite/Cepea: Preço do leite captado em outubro e pago em novembro cai 11 centavos/litro
O preço do leite no campo recuou em novembro, interrompendo, portanto, o movimento de alta que vinha sendo verificado desde junho. De acordo com levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, a “Média Brasil” líquida do leite captado em outubro e recebido por produtores em novembro caiu para R$ 2,0435/litro, baixa de 5,3% (ou de 11 centavos/litro) frente ao mês anterior.

É importante lembrar que os preços do leite no campo são influenciados pelos mercados de spot e derivados, com atraso de um mês nesse repasse de tendência. Assim, o preço do leite captado em outubro que é pago em novembro é influenciado pelo desempenho dos mercados de derivados e spot de outubro. Por conta da sazonalidade da produção, é esperado que, a partir de outubro, ocorra a desvalorização do leite no campo, uma vez que as chuvas da primavera e do verão elevam a disponibilidade de pastagem. Porém, em 2020, a retomada da produção não tem ocorrido de forma intensa, já que as condições climáticas foram menos favoráveis. Além disso, a elevação dos custos de produção prejudica a atividade. Mesmo assim, nas primeira e segunda quinzenas de outubro, houve maior oferta de leite spot (negociado entre indústrias) em Minas Gerais, de modo que a média mensal caiu 16,8% frente à de setembro/20, indo para R$ 2,23/litro.

Gráfico 1. Série de preços médios recebidos pelo produtor (líquido), em valores reais (deflacionados pelo IPCA de outubro/2020).
Fonte: Cepea-Esalq/USP.

Nesse sentido, de acordo com agentes consultados pelo Cepea, a redução das cotações no campo esteve mais atrelada à pressão dos canais de distribuição sobre as negociações de lácteos com as indústrias em outubro. Isso porque o consumo esteve enfraquecido naquele mês, em função dos altos patamares de preços atingidos pelos derivados em meses anteriores. Como consequência, em outubro, houve a diminuição dos preços médios de derivados importantes para a formação do preço ao produtor, como leite longa vida (UHT), muçarela e leite em pó. É importante destacar que, mesmo com estoques enxutos de lácteos, a valorização intensa de vários gêneros alimentícios nos últimos meses tem pesado sobre a decisão de consumo do brasileiro, o que também resulta em maior competição entre redes varejistas para atrair clientes com preços baixos. 

Perspectivas – A grande dificuldade para o setor neste final de ano está em equalizar a demanda, sensível aos elevados patamares de preços dos lácteos, com a oferta que deve seguir restrita, já que a ocorrência de La Niña deve impactar negativamente a atividade leiteira nos próximos meses. Além disso, as expressivas altas dos custos de produção (atreladas, sobretudo, à valorização dos grãos) impossibilitam investimentos na atividade, além de já comprometerem as margens dos produtores, visto que ocorrem em um momento muito sensível de redução da receita. Outro agravante para a situação é a valorização da arroba ao longo deste ano, que acaba estimulando o abate de fêmeas. Assim, a produção de leite pode não se recuperar no verão, como em outros anos, o que pode frear o movimento de queda no campo.

Preços do leite pagos ao produtor no mês de Novembro/2020


Cotações de leite cru - Preços pagos pelos laticínios e recebidos pelos produtores (líquido) em Novembro/20 referentes ao leite entregue em Outubro/20 nos estados que compõem e não compõem a “Média Brasil”. Dados deflacionados pelo IPCA de Outubro de 2020. A “Média Brasil” líquida contém os preços de BA, GO, MG, SP, PR, SC e RS ponderados pelos seus respectivos volumes de negociação, sem considerar frete ou impostos. Demais estados RJ, ES, MS, CE e PE não estão incluídos na “Média Brasil”.