Conjuntura do mercado do leite ao longo de 2020

15-12-2020 10:27:00 Por: CILeite Embrapa

Conjuntura do mercado do leite ao longo de 2020
No cenário internacional, mesmo com os impactos negativos da pandemia na economia mundial, a percepção geral foi de que os efeitos no setor lácteo não foram expressivos. A produção de leite nos principais exportadores veio crescendo durante o ano, com os maiores aumentos vindos da União Europeia e dos Estados Unidos. Os preços internacionais se recuperaram na segunda metade do ano, com boa demanda por parte da Ásia, em especial da China.

No Brasil, havia uma expectativa de retomada do crescimento econômico no início de 2020, que foi afetada pelo Covid-19. Além da pandemia, diversos fatores impactaram o mercado lácteo nacional: desvalorização do real frente ao dólar, elevação dos custos de produção, crescimento das exportações de commodities agrícolas, estímulos à renda com os auxílios governamentais, condições climáticas adversas, mudanças de comportamentos do consumidor com a pandemia, para citar alguns.


Pelo lado da oferta, o custo de produção de leite cresceu durante praticamente todo o ano, puxado pelo concentrado. A seca que atingiu o Sul no início do ano, voltou a causar estragos no final de 2020, afetando também a produção de leite. Na balança comercial, no primeiro semestre houve pouco leite importado, mas a partir de julho a situação se inverteu e o País importou um volume 91% maior no período de julho a novembro de 2020 em relação a 2019.

Já pelo lado da demanda, as preocupações do início da pandemia, com o isolamento social e o fechamento do comércio foram superadas positivamente. Com o auxílio emergencial, que proporcionou aumento da renda média da população, e os novos comportamentos de consumo domiciliar dos brasileiros, houve aumento da demanda por lácteos.

A conjunção destes fatores fez com que a disponibilidade interna de leite ficasse menor no primeiro semestre e se recuperasse no segundo, na comparação com o ano anterior. Essa baixa disponibilidade interna no início do ano e o consumo firme impulsionaram as cotações dos lácteos. Os preços dos derivados no atacado atingiram recordes históricos ou chegaram próximos a estas marcas. Entre janeiro e novembro de 2020, na média, houve alta de 21% no leite UHT, 25% no leite em pó fracionado e 29% no queijo muçarela, na comparação com o mesmo período de 2019. O leite no mercado Spot acumulou alta de 34% no mesmo período. Essas elevações refletiram nos pagamentos ao produtor, principalmente a partir de junho, quando o preço do leite teve forte trajetória de alta até atingir seu máximo histórico em outubro de R$2,16 por litro. Na média do ano, os preços nominais ao produtor ficaram 20% acima de 2019.

Figura 1. Variação dos preços do leite ao produtor, no atacado e no mercado Spot em 2020 (janeiro de 2020 = 100).
Fonte: Cepea/OCB, elaborado pela Embrapa

Neste último mês de 2020, alguns elementos continuam desafiadores: clima na região Sul, alto custo de produção de leite, queda no preço do leite em novembro e o mercado valorizado do boi gordo colocam pressão negativa sobre a produção nacional. No atacado, os preços do leite UHT voltaram a subir, enquanto no mercado de queijo muçarela a reação dos preços foi menor. O mercado Spot também voltou a ter uma alta mais expressiva. Por outro lado, as importações seguem elevadas.


Para o início de 2021, o custo de produção deve permanecer mais alto e a oferta ainda limitada, devido ao clima. O cenário de preços ao produtor vai depender ainda do comportamento do consumo, impactado positivamente pela possível recuperação da economia, mas pressionado pelo fim do auxílio emergencial e desemprego elevado.